sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sonhar você



Me olha assim, desse jeito que pra você é tão fácil, mas que eu não tenho idéia de como desvendar. Mas dá vontade de pular. De me atirar sobre você, te derrubar de riso, no chão te encher de beijos. E acabar com o ar de sedução batendo a cabeça, porque o desastre faz parte de mim. Mas me olha desse jeito e eu esqueço o machucado. E pulo em você de novo e ataco feroz com mordidas de amor, porque teimosia faz parte de mim também.

Me abraça daquele jeito que encaixa tão bem. Que me bota mais perto do seu coração... Me leva pra dentro, me deixa entrar. Arranja um espaço entre os esquadros e o papel-manteiga. Vou tentar não bagunçar, prometo! Mas não posso garantir que tudo permaneça como antes. E, sinceramente, você quer mesmo que seja igual? Quando o mais bonito do presente é viver o novo, construir o sonho... De construção você sabe mais que eu, então me ensina. Não há pressa em iniciar essas obras... Vamos apenas preparar o terreno e começar a projetar esse futuro que pode ser tão bonito!

Falando em futuro, me dá um presente! Me surpreende! Não precisa de data especial, laço de fita, embalagem colorida... Se bem que de colorido eu gosto. Então me dá um arco-íris ou um pôr-do-sol contigo. Melhor! Qualquer dia desses você passa depois do trabalho e me dá um saco de jujubas e um sorriso bonito... E que esse seja só pra mim! Não precisa dizer que o motivo sou eu. Mas se for eu vou gostar.

Conta uma daquelas histórias bobas que te fazem gargalhar antes de chegar ao final. E eu quase não entendo, mas acho graça mesmo assim. Combina teu riso com o meu. Me faz uma canção. Mas faz dedilhada, que é mais difícil. Talvez aí eu até acredite que você sente o mesmo que eu. Vira prova de bem-querer.

Bebe comigo. Ri da minha bobeira, do pileque que me deixa ainda mais em ebulição. Da alegria fácil e do sentimento escancarado. Não liga se eu começar a discutir a relação assim. Eu ia fazer o mesmo se estivesse completamente sóbria. Mas não deixa que meu desastre natural faça muito estrago depois de algumas caipirinhas no juízo. Cuida de mim? Não é que eu precise, mas o carinho é tão bom que às vezes dá vontade de me abandonar no seu cuidado.
Me chama pra sair! Da minha casa pra sua, da sala pro quarto, do hoje pro amanhã... Sair da caixa, do sério, da realidade. Ou me pede pra ficar. Vai ser bom, também. Ficar no seu colo, no seu abraço... Pede pra eu ficar na sua vida, se for o caso. Aliás, fica você também! Fica à vontade, sem-vergonha, sem estresse... Fica só de toalha, vai, é sexy. Fica eufórico, feliz, excitado... Esquece qualquer outra coisa e fica apaixonado.

Mas não tem pressa, não... Se revela devagar, me descobre lentamente... Faz de conta que é doce e vai degustando aos pouquinhos! Sente derreter, mesclar, chocolate ao leite, casadinho... De doce você gosta, que eu sei. Então deixa de bobeira e experimenta misturar o sabor. Não tem problema se exagerar na medida, sentimento não engorda e nem vem com dosagem certa. A receita a gente é que faz. E, tudo bem, de receita você entende mais que eu, também. Mas de sentimento eu sei bem. E não tenho medo de usar, dizer, mostrar... A gente troca essas figurinhas outra hora. Você me ensina algumas coisas e eu bagunço a aula inteira, esperando o momento de alegrar o seu recreio.

Agora só me põe pra dormir em teu peito. Ouvindo teu coração cantar nosso riso. Me deixa pequena, me nina com aquela canção. Depois vai mudando de repertório, de posição, não tem problema. O bom mesmo é que a gente se encaixa de todo jeito. Mas antes me deixa sentir o teu cheiro, pra indicar o caminho do sono. Quero sonhar você comigo e, quem sabe, talvez você até torne isso real.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Coisa de criança




Acordou com o som de uma risada.  A própria risada.  Aquela sensação deliciosa de que o dia seria ótimo a invadiu, inflando seu peito, fazendo rir mais uma vez, mais alto, mais cantado. E quando as lembranças surgiram, o riso virou sorriso, deixou de ser eco do sonho bonito para se tornar sentimento real.

O sonho tinha sido bom, mas a lembrança conseguia ser melhor... Quando a vida consegue superar o sonho? Não estava escrito em algum lugar que isso era proibido?

Que delinquente! Que inconsequente!   Ousando acordar feliz em plena segunda-feira, trocar a vida banal por um brilhante conto fantástico. Como criança quando percebe que tudo é muito mais bonito na imaginação e, num lampejo de sabedoria, vê que pode transformar a realidade naquilo que quiser, simplesmente com a força do seu querer. Cantarola toda a trilha sonora da Disney e sai por aí mudando tudo que lhe desagrada, transformando lágrima em gota salgada de mar, dia cinza em livro de colorir que precisa ser pintado com as cores puras do seu coração e fazendo de um sorriso a lua que ilumina caminhos perigosos rumo a bonitas e excitantes aventuras.

E o caso é que amor parece, mesmo, coisa de criança: tão simples, tão natural! Sem jogos, sem máscaras – embora sempre existam fantasias e brincadeira de médico, bombeiro... –. Um bem-querer verdadeiro, sincero, de cara lavada... E joelho ralado, talvez, porque amor machuca às vezes. Coisinha boba, de raspão. Fica ardido, incomoda, mas com um pouquinho de cuidado sara logo. E criança não deixa de viver por medo de mertiolate, nem deixa de subir em árvore, de correr, dar pirueta, descer a ladeira de bicicleta sem as mãos, só porque acha que pode se machucar.

Quem ama mesmo sente receio, quando olha lá de cima da árvore, de cair de cara, levar um tombo feio, quebrar um braço ou, pior, partir o coração... Mas continua subindo, cada vez mais alto, porque sente aquele desejo enorme de descobrir qual é a vista lá de cima, esperando encontrar algo novo e surpreendente, ou algo conhecido e confortável, mas sempre algo bom. E essa espera otimista beira à inocência da infância, revestida da uma certeza plena de que aquele é o momento mais importante da sua vida, aquele é o sentimento mais bonito do universo. E essa entrega total ao que encanta, cativa, apaixona, esse exagero de intensidade é bem coisa de criança.

E naquela manhã, ao olhar para as gotas que golpeavam sua janela, o céu nublado como pano de fundo de algodão doce, uma vontade enorme de brincadeira boba surgiu no seu peito. Vontade de riso solto e sincero, de criar mais lembranças bonitas, mais histórias melhores que o sonho. É tão bonito, amor menino! Alegria fácil, coração leve, a felicidade na palma da mão! Daí ela decidiu pegar um cobertor e um bom filme... Talvez até arranjasse pipoca, para dar aquele gostinho de fantasia que o cinema sempre tem... E então convidar o dono do sorriso - aquele que a fez sonhar- para brincar de namoradinho. E colorir de amor aquele dia cinzento de chuva.