quarta-feira, 11 de julho de 2012

Entreaberto



"You are my fire... The one desire..."


Eu gosto mesmo é daquele momento, entre o eterno e o efêmero, antes do abrir dos olhos. Aquele instante que começa doce, suave, de rostos colados, carícias delicadas, toque manso... E que no espaço do beijo vai mudando de sabor, arde a língua, se torna picante. Quando as bocas ainda não se separaram totalmente, mas os olhares já se encontraram, semicerrados, brilhantes. E a respiração misturada abafa, esquenta, invade... Faz do olhar matéria –prima de fogueira e incendeia.

São lábios que pairam, que roçam no outro, acendem centelhas, soltam faíscas, e o hálito morno tinge o ar de vermelho. E o olhar, embaçado pelo calor, se intensifica, funde a doçura no prazer, derrete a vontade, arrepia a nuca e faz cravar as unhas na pele. É algo que escorre por dentro, líquido inflamável, combustível de paixão.

Gosto daquele instante em que mãos deslizam e, pele na pele, deixam um rastro quente. Faíscas do atrito se encontram com o olhar e causam combustão. É um minuto em que, no esboço de um sorriso, carinhoso e tentador, o coração aumenta o batimento. E o fogo explode no centro do peito e irradia por todo o corpo, percorrendo cada centímetro. E, pouco a pouco, vai acelerando a pulsação, gerando movimento, até atingir a velocidade da urgência.

Bocas e olhares dançam provocantes, sinuosos, cúmplices, em meio às chamas. Línguas de fogo que lambem e devoram, que consomem o juízo, invadem o corpo e alcançam a alma. Apenas no espaço de um beijo... Quando os lábios, entreabertos, ainda não se separaram totalmente. E por essa brecha de paixão, os olhares espiam o futuro que chega já... 
O incêndio que começa com a faísca de um beijo doce e termina em explosão.