quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Além do Eterno




Eu quero a poesia mutante,
Maleável, inconstante,
Do boca-a-boca,
Do diz-que-me-diz,
Das lendas locais.

O brilho chamejante
Da palavra que dança na fogueira,
Formando sombras desconexas,
No paganismo dos rituais.

Eu quero a cadência ritmada,
A musicalidade hipnótica,
A elegância medieval,
Da história que canta-conta-encanta
Nas rimas do trovador.

Os paralelismos amistosos
Do universo do romance,
O zombar cáustico e mordaz
Que cai sobre aquele de quem se maldiz,
E a idealização distante de um impossível amor.

Quero a morbidez doentia
Dos romancistas desiludidos
Que brindam, veneno e sangue,
O fascínio do platonismo.

O último bater do coração romântico
Do suspiro que indica o final
Pra o poeta que alcança o amor,
Da inspiração inimigo letal.

Eu quero a totalidade,
O melhor escrito em cada geração,
Os recortes de cada época,
A vasta miscelânea da perfeição.

Eu quero ser o ‘não-ser’ do ser
A tinta que molha o papel para a eternidade
Porque no caos da criação,
Na amplitude da inspiração,
Vou infinitamente além do que forma o eterno.

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