terça-feira, 29 de novembro de 2011

Que foi, foi...




Foi amor bonito, e não foi pouco não! Daqueles que batem na parede do peito, rasgando feito papel de seda, e vão caindo, caindo, caindo pela alma adentro, sem fundo, sem nada... Caindo com tudo no que era vazio e ficou cheio de cor, de cheiro bom, de gosto da fruta preferida tirada do galho mais alto.

Foi pouco amor não, e foi bonito demais da conta, sim senhor! Bonito daquele jeito que até dói de tanto brilho que tem, que ganha até de supernova, ganha de explosão solar. Mas é luz boa, não cega não. Porque amor que é amor não é cego, sabe é amar os defeitos, que vê bem direitinho, mas chama de “qualidades ruins” pra não magoar o coração onde foi morar.

É. Foi amor pra mais de metro, de quilômetro, de rastro de poeira estelar. Daquele tipo que percorre cada pedacinho de estrada, enche o tanque, pega ônibus, carona, vai a pé... Qualquer coisa! Só pra chegar, meio atrasado, no destino aonde o coração já chegou, ó!, faz tempo! Destino que não é final, é começo. Começo de caminho novo, onde a carona de um é o outro, porque nada é combustível melhor que amor.

É. Foi mesmo. Foi amor, inteirinho, de cabo a rabo, de frente e de costas, virado do avesso, de cabeça pra baixo... Pode revirar todinho que não tem outra explicação. Era amor. Foi amor.

Mas daí, não sei bem em que ponto da estrada, parei pra descansar. Só um pouquinho. A sesta, sabe como é, porque caminhar no ritmo do amor às vezes cansa um bocado. E eu cochilei, debaixo de um pé de qualquer-coisa, numa sombra gostosa e muito confortável, boa mesmo pra preguiça. E quando abri de novo os olhos ele já estava longe, bem longe. Num passo tranquilo, se foi. Ele quebrou numa curva e foi...

E aí foi indo, indo, caminhando como caminha no céu nuvem cinzenta de tempestade. Foi indo, indo, até chover temporal de tristeza, inundando o mundo de saudade.
Saudade que lavou a estrada de terra batida e os becos sem saída da cidade, que fez poça pra criança brincar, que alimentou os frutos daquela árvore que ainda nem brotou, de tão intensa que foi a chuva de amor. É, foi. Foi pra sempre? Não sei.  

Que foi, foi, disso eu sei. Mas pode ser que volte, né mesmo? Se chuva deixa de presente o arco-íris e depois volta para encharcar a terra, por que o amor, que deixou comigo tanta saudade, não pode chover, de novo, a esperança em meu peito?

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