segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pirlimpimpim



O pensamento otimista do dia.


Quando o pulso acelera e as mãos esfriam você tem duas opções: é amor ou é ataque de pânico. Torça pela segunda opção. A primeira é demasiado perigosa.

domingo, 18 de setembro de 2011

Flores de la Quimera



*Apresentando minha primeira postagem em espanhol. Perdoem os erros, fazendo o favor. Finjam que é licença poética.*


Me dormí
Después de perder la razón,
Todavía con tu gusto en mi boca,
Con tu olor en mi piel.

Corría tu pasión por mi sangre,
Tus manos por mi cuerpo,
Tus expresiones por mi mente.

Tenía tu respiración en mi oído
Tu boca posada en mi cuello
Y el peso de tus piernas en las mías.


Era firme tu cuerpo contra el mío,
Era seguro el calor de tu abrazo.
Así me dormí.

Me desperté
Con el latido fuerte de mi corazón
Con la mente en blanco,
Guiada por los sentidos.

Sentía tus huellas en mi espalda,
Tu sonrisa en mis ojos
Y tu alegría pulsando en mi pecho.

Apenas por un rato, nomas.
Detrás mío había la nada,
Mis ojos, turbados, no sonreían
Y en mi pecho un raro vacío.
Así me desperté.

¿Un dulce sueño, quizás?
Sueño de gustos y olores
Sueño de voces y miradas
De risas y toques…

¿Un sueño?
Que hizo sonrojar mi piel,
Que calentó mi corazón
Hasta derretir mi alma…

Pétalos de gozo en las sábanas,
Recuerdos de la noche que te tuve
Sin tenerte.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

De sobremesa, amor.




O sol insistia em brilhar, mesmo um pouquinho antes de morrer no horizonte, dando um tom alaranjado a tudo que podia tocar. Parecia doce, a imagem. Doce de laranja em compota, ela pensou. E sentiu fome. Mas uma fome boa, diferente. Fome de vida e de paisagem bonita, fome de doce, também, mas principalmente de vê-lo derreter-se naquele pôr-do-sol alaranjado. Chocolate com sol. Sol em calda, sol em compota.

Ele a encarava, fascinado, enquanto o sol escorria pela borda do dia e coloria e sombreava, tudo ao mesmo tempo, aquele rosto delicadamente pálido. Também lhe parecia doce, a imagem. Aqueles olhos cor de açúcar queimado, cabelos de caramelo, boca pequena vermelho-cereja. E a pele branca de suspiro. Ele também suspirou. E quis devorá-la. Mas devorá-la devagarinho, saboreando o gosto bom do sorriso açucarado e olhar derretido de amor.

Eles se encararam e algo em seu peito pulou. Também tinha fome. Mas era fome dela, fome de sentimento bom, de sonhos a dois, de mais tardes ensolaradas com doce-de-sol-em-calda. Com massa caseira de paixão, recheio de cremoso duplo de mimos e cuidados, cobertura de carinho transbordando pelo prato de beijinhos, e até uns granulados de ciúme, mas bem pouquinho, só pra enfeitar.

Sentiu que seu olhar se derretia também, enquanto as estrelas apareciam de mansinho, como açúcar cristalizado polvilhando torta-de-céu, e ela desviava timidamente o olhar para o mar.

Meiga, meiga, doce, doce... Que fome, meu Deus! Que doçura de menina! Tomou sua mão (mais um suspiro!) e beijou delicadamente, um tanto tímido, um tanto inseguro, quase com medo de desfazer o confeito.

Ela sorriu açucarado e imitou o gesto, degustando o calor suave de café-com-leite. De repente, também sentia fome dele. O sol já se fora, mas o perfume de chocolate ainda estava no ar. Era dele.

Ele também lhe sorriu, sorriso de sorvete de coco, não frio, mas saboroso. E surgiu a ideia assim, do nada, quando aquela fome de tê-la pertinho já era tão grande que até doía o peito (era fome que dava no coração). A noite estava quente como pudim recém-saído do forno. Ela aceitaria tomar um sorvete?

Sua resposta foi chegar mais perto, bem pertinho. E parecia que aumentavam a temperatura do forno, mas na verdade o calor vinha de dentro. Ele a tomou nos braços e então já estavam juntos, bem juntinhos. E foram derretendo, derretendo, até as bocas estarem muito próxima, coladinhas com recheio avermelhado de amor. Num beijo doce, viraram casadinho.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Decifra-me ou não te devoro



Desvenda-me.
Observa atentamente as linhas que delineiam meu corpo, a suavidade dos traços, a harmonia dos detalhes, mas não esqueça as imperfeições. Os deslizes do esboço estão presentes na arte-final. Então acompanha o desenho das minhas curvas, desliza pelo macio da minha pele, decifrando os sinais que marcam minha história. Aprecia esse calor que transborda do meu corpo e desfruta do perfume que se espalha no teu. Tem meu cheiro na memória.

Desnuda delicadamente as formas do meu querer. Desfaz, sem pressa, os laços de pudor que atam minhas ideias menos convencionais. Observa atentamente enquanto caem, uma a uma, as peças que compõe o figurino da minha política. Entende que cada peça sou eu, mas que existem muitas de mim sob cada camada. Encara meus olhos de pedra, de aço, de cores que dançam, de lágrimas que encharcam. Descobre as combinações, das melhores às mais absurdas, de olhares e formas. Mergulha em meu olhar denso de segredos, iluminado de sonhos, ressaqueado de anseios. Afoga-te em mim.

Decifra meus trejeitos, se são sinais ou pura displicência, se são manias ou gestos calculados. Trata de observar as nuances do meu humor, a veracidade dos sentimentos, se estou de máscara ou de cara lavada. Percebe os efeitos que causa em mim. Aqueles que eu demonstro e, sobretudo, os que tento esconder. Descobre quando é o motivo do meu sorriso. Encontra em mim algumas partes de ti.

Descobre o que eu não sou. O não-ser também faz parte de mim. Então conhece meu avesso, o inverso do meu querer, do meu sentir, do meu pensar. Observe o que eu desgosto, analise o gosto que tem.

Decifra-me... Busca meus motivos, minhas facetas, minhas fases. Busca meus sorrisos, minhas dores, meu tédio, meus figurinos, minhas expressões, minhas frases prontas. Tente adivinhar o meu porquê. Tem sede de mim, me abre o apetite de você.

Decifra-me ou a esfinge te deixará partir. E esse seria o frustrante final da sua aventura. Voltar para casa sem histórias, sem perfumes, sem sabores, sem respostas. Voltar sem nada quando poderia ser devorado incontáveis vezes pelo arcano do amor e descobrir mais de ti enquanto desvendava os meus mistérios.

Eu te convido a decifrar meus segredos e a deixar que eu me perca nos seus. Não importa muito que encontre as respostas, há mistérios que são simplesmente insolúveis. Mas tente decifrá-los, é a busca o que realmente interessa.

Se entregue à esfinge, deixe-se devorar. Seja o sabor em minha boca.

domingo, 4 de setembro de 2011

Pirlimpimpim





O pensamento incoerente da madrugada.


Vou comer estrelas até que meus olhos brilhem tanto quanto seu sorriso.