quarta-feira, 9 de março de 2011

Allan e os Quatro Dons




Vocês irão escrever uma adaptação de um conto de fadas, sendo que ele pode ser uma crítica, uma sátira, uma releitura.. Deve-se reescrever a história, deixando-a muito mais engraçada, ou dramática, ou assustadora.. Enfim, vocês tem liberdade total para adaptar o conto escolhido.


*meu preferido. MÁFIAAA! Aladdin




As coisas iam mal no grande reino de Nápoles.
O centro de operações de produção ilegal e mafiosa da Itália entrava em colapso.
Primeiro porque finalmente os esquemas de um dos grandes clãs da Camorra foi descoberto e seu Don, preso. Depois, é claro, porque todas as pessoas envolvidas no Sistema foram mortas no processo de captura, o que pode gerar uma dor de cabeça danada se você for um médico-legista. Ou um dos cadáveres que teve os miolos arrancados por uma rajada.
Desde o braço direito do Don até o pusher mais ralé que trabalhava para a família na venda de drogas, foi morto cruelmente ou pela polícia ou pelos próprios camorristas, como queima de arquivo.

A suspeita dos outros clãs era de que a informação viera de dentro. Alguém havia traído o Sistema. Um Sistema que funcionara bem por tantos anos, com a cooperação interesseira de cada clã. O maior e mais bem sucedido Sistema mafioso do mundo havia sido traído e começava a se desmantelar.
E se alguém fizera isso com um Don, com certeza seria capaz de fazer com todos os outros clãs.

O consigliere do clã Agrabah, Yassar-jafar, sugeriu ao Don Sultain que iniciasse um plano de fuga e proteção para sua única filha. Segundo suas previsões, em breve todos os clãs entrariam em conflito uns com os outros e a família de nenhum Don estaria segura.

––Yasmin deve casar, Don Sultain, e sair da Itália o mais rápido que puder. Confie-me sua filha, eu a protegerei. – Ele afirmou com convicção, enquanto as rajadas das metralhadoras atingiam jovens adolescentes que trabalhavam nos elaborados esquemas de drogas. Yassar-jafar apontou o caos. ––Quando o Sistema funcionava isso jamais aconteceria.

Don Sultain, capo di tutti capi, o mais importante líder do mais importante clã da Camorra, suspirou de tristeza. Tantas pessoas mortas... Quanto desperdício de capital!
“Yassar-jafar tem razão.” Ele pensou. Os primeiros a serem atingidos em uma guerra são os familiares. “Quem melhor que meu consigliere, meu braço direito, para se casar com minha Yasmin?”

Don Sultain jamais poderia imaginar que a grande traição viera de Yassar-jafar.
Anonimamente, o consigliere do clã de Agrabah tramava a morte do seu Don e, casando-se com sua filha, a sua ascensão a Don e a posse preferencial dos negócios com os chineses. Com os Quatro Clãs fora do jogo, ocupados demais em salvar seu Sistema e em matar uns aos outros, Yassar-jafar acreditava que teria o domínio não apenas de Agrabah, mas de todos os negócios clandestinos de Nápoles.
Traiçoeiramente ele lançara sobre os clãs a semente da discórdia e agora nenhum clã pedia ou fornecia garantias de segurança para os outros. Era o caos do cada um por si.

––Muito bem, Yassar-jafar, falarei com Yasmin e nós arranjaremos tudo para a partida de vocês.

“E para o seu funeral, caro Don. E para o seu funeral.” Pensou o consigliere, sentindo certa a sua vitória.

O que Yassar-jafar não sabia era do envolvimento de Yasmin, filha do capo di tutti capi, do clã mais lucrativo de toda a máfia, com um simples pusher, negociador de drogas e ladrãozinho de quinta.

Allan, americano refugiado na Itália, sabia que não tinha condições de crescer dentro do sistema e aceitara bem este fato desde o início.
Mas então seu olhar se cruzou com o da jovem filha do Don e todos os seus sentimentos mudaram. Ele não queria mais vender drogas para sobreviver, para dar de comer aos seus parentes e amigos.

Ele queria ser grande, queria ser bom o suficiente para proporcionar à Princesa da Máfia tudo o que ela desejasse. Ele queria lhe mostrar o mundo, seu mundo. Queria compartilhá-lo com ela.

E Yasmin aceitou, mergulhando num mundo que ela nunca vira. Era um mundo diferente daquele visto das grandes janelas do seu casarão.
Um mundo de miséria e pobreza, mas também de solidariedade, de pessoas que lutavam pelos seus sonhos e pelos seus ideais. Que literalmente matavam e morriam por aqueles que amavam.
Yasmin apaixonou-se pelo espírito decidido de Allan, pela sua malandragem e o jeito como sempre buscava fazer o melhor para os outros, mesmo que por vias tortas. Como eram todas as vias da máfia, aliás.

Quando chegou aos seus ouvidos a terrível idéia do pai, Yasmin pulou os muros do casarão e fugiu para uma das simples casinhas onde Allan guardava as drogas.
“Eu nunca vou me casar com aquele vecchio porco, bugiardo. Nunca!” Ela pensava, desesperada, enquanto corria pelas ruas cheias de gente ocupada demais para prestar atenção ao seu desespero. “Morro antes que ele encoste em mim, spudorato!”

Yasmin entrou a casa pela janela, como Allan um dia lhe ensinara a fazer.

––Allan! –Ela gritou, procurando por ele por todos os cômodos. ––Allan, preciso de você!

Estacou ao chegar na cozinha. Seus olhos se arregalaram e sua mão foi è garganta, apertando-a para conter o grito de horror e desespero.

Deitado no chão estava Allan, o peito coberto por enormes hematomas roxos com pontos amarelados no meio. Havia sangue em seu braço, claramente rasgado por uma faca.
Yasmin correu até ele, colocando a cabeça dele em seu colo.

––O que aconteceu? –Ela perguntou, chocada, enquanto um outro rapaz, com o peito também coberto pelos ferimentos roxos, fazia um curativo no braço de Allan.
––Emboscada do Clã Mallazera. – Ele disse, num fio de voz. ––A guerra entre os quatro clãs começou. Se não fosse o colete...

Ele suspendeu a frase em um gesto agourento.
Levantou-se quando o companheiro terminou de tratar a ferida.

––Não pode ficar aqui, Yasmin. É perigoso demais para você.
––Não posso voltar para casa. Meu pai quer que me case com Yassar-jafar!

A mente analítica de Allan começou na trabalhar fervorosamente.
Ele era um cara das ruas, esperto, malandro, conhecia a fundo a mente de criminosos. Especialmente de criminosos mais criminosos que ele, pois era contra o destino de ser mau que Allan Dinn lutava.

Ele se levantou, estendendo a mão para Yasmin e encarando seus grandes olhos negros. Havia amor e desespero neles.
A pele amorenada, os longos cabelos negros, o corpo diminuto e esculpido... Tudo nela pedia proteção.

––Você confia em mim? – Allan perguntou, ainda com a mão estendida.
––Sim. – Ela respondeu, quase sem hesitar, segurando sua mão e levantando-se do chão frio daquele casebre.
––Então volte para casa e diga e irá se casar. – Ele falou firmemente. ––Depois arrume suas malas e fuja. Volte para cá. Sem ser seguida.

Ela assentiu e se foi, com o peito angustiado, apertado com a dor da partida. Vê-lo caído e ferido despertara nela o medo da realidade suja que os cercavam.

Com ousadia e coragem, Allan Dinn, americano, pusher e pequeno nas operações da máfia, encontrou três dos líderes dos Quatro Clãs. E, um a um, com seu raciocínio lógico e a esperteza de quem luta pela vida com todas as forças, os convenceu de que sua teoria era verdade.

Na calada daquela noite, enquanto Yasmin fugia para o casebre, na grande mansão do Clã Agrabah os Quatro Dons se encontraram.
Apenas, agora, o grande Don Sultain estava morto. Assassinado pelas mãos traidoras do seu consigliere. E a máfia não perdoa traição.
Yassar-jafar foi pego em flagrante. Teve suas pernas quebradas por bastões e foi mergulhado em um tonel de ácido, para sofrer uma morte dolorosa e lenta.

Allan Dinn subiu ao cargo de Don do Clã Agrabah, ao casar-se com Yasmin. Ele era, agora, um dos Quatro Dons. Seria temido e respeitado. Com sua malandragem e astúcia, seu clã venceria batalhas econômicas, enganaria policiais de todo o mundo e a paz tensa dos negócios voltaria a reinar nas transações da Camorra.

Embora vivessem no mundo sórdido da máfia, onde a maior regra é gerar lucro e o maior perigo é interferir nos negócios dos Clãs, Yasmin e Allan tentariam criar o mundo ideal para que seus filhos, um dia, pudessem crescer em uma Itália próspera.
E completamente dominada por eles.

4 comentários:

  1. seguindo*--*
    segue?http://cantinho10.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  2. Adoreiiii *__*
    Como todos os outros também =D
    Ahh Cissa, tudo que tu escreves é perfeito!!

    Beijos

    ResponderExcluir
  3. Você é um doce, Mandinhaa!
    Com essa sua vida agitada de vestibulanda, ainda arranja tempo pra comentar aqui?
    Leitoras como você é que fazem a alegria das blogueiras!

    Beijo enoorme!

    ResponderExcluir