terça-feira, 22 de junho de 2010

A natureza da saudade





Uma chuva de saudade me molhou
E agora ela não quer mais secar.
Diga a ela, meu São Pedro, por favor,
Que a represa em meus olhos vai transbordar.

O passarinho da saudade em mim pousou
Fez do meu peito o seu ninho pra morar
Oh, São Francisco, peça a ele, por favor,
Que alce vôo para nunca mais voltar.

Uma noite de saudade me cegou
Ando sozinha sem saber onde pisar
Acenda estrelas, Santa Clara, por favor,
Para essas trevas, sem demora, dissipar.

A primavera do amor desabrochou
Mas há um botão que ainda não quer florescer
Santa Teresinha, diga a ele, por favor,
Que se não abre de saudade vou morrer.

Tão natural em cada rosto ver você,
Ouvir tua voz no sopro tímido do vento,
Sentir o gelo do meu coração derreter
E recuar nas areias quentes do tempo.

O horizonte de crepúsculo azulado
Traz uma dor tão misturada com o prazer
Que todos os santos têm o peito angustiado
Na ansiedade de me ver amar você.

A saudade é o mais arcano elemento
Dentre os maiores prodígios da natureza
É a junção de distintos sentimentos,
Do amor a suavidade e da solidão a crueza.

Mas há também uma grande sabedoria,
Uma coisinha criada para aliviar
O coração que arde e queima em agonia
Até a hora do reencontro chegar.

Da natureza é a lembrança o consolo
Para o desespero que ataca o coração.
O meu, aflito, anseia por esse conforto
Desde o dia da nossa separação.

O oceano, imensidão da natureza,
Projeta longe uma centelha de amor
Com uma onda ele apaga a tristeza
Que na praia, solitária, encontrou.

E a explosão que ocorre nesse reencontro,
O oceano beijando a praia sem cessar,
É mais suave que o mais simples dos planos
Que eu tracei pra quando te encontrar.