quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Todo mundo tem.



O coração... Pulsante, quente, órgão vital no corpo de qualquer ser. Não é apenas um mero amontoado de carne que bombeia sangue para o resto do corpo.
Ele se divide entre amores, sofrimentos, esperanças e alegrias. Ignorando todas as leis físicas e científicas, ele é partido em mil pedaços várias vezes e se regenera, pronto para ir em busca de um novo sonho.
Ele transborda por diferentes motivos e de diversas emoções. Tem coração que tem chave, que é de gelo, pedra, ou totalflex (esticando sempre cabe mais um). Há aqueles cercados por muralhas, com cerca elétrica e cães de guarda, à prova de qualquer sofrimento; e também aqueles que são como uma cabana no meio da floresta, esperando apenas ser encontrada e acolhendo quem quer que apareça.
Existem corações guerreiros, que vestem suas armaduras, colocam seus elmos e carregam espadas acreditando que estão prontos para qualquer batalha e por vezes ferindo andarilhos errantes. Mal sabem que nunca se vence uma batalha contra o amor.

Por outro lado ainda há corações pacifistas no mundo! Caminhando descalços, hasteando bandeiras brancas e entoando hinos em honra ao amor. Seguem seu caminho com sorrisos sinceros, alma lavada, cara limpa e a coragem necessária para enfrentar os problemas que surgirem.
Existem corações que são como lojas em promoção: oferecem muitas coisas a preços módicos, mas que geralmente não valem coisa alguma.
Há corações que batem lentamente, quase com medo de fazer barulho ou causar confusão, com um medo enorme de viver, e outros que batem tresloucadamente, como uma bateria de escola de samba, sempre prontos para atravessar a Sapucaí em grande estilo.
Os corações por vezes podem ser impressionantes como um mar revolto: ondas potentes e furiosas que se quebram tão rápido quanto se formam, criando uma enorme confusão em si mesmos e assustando aos que passam.

Eles podem ser cruéis, mesmo sem querer ou perceber. Talvez por tudo que já passaram, talvez por que seja sua natureza, existe um tipo louco de coração. Ele segue desgovernado, chocando-se com suas próprias emoções, atropelando outros sentimentos, tais como a razão e o bom-senso, e de quebra devastando outros tantos corações. É um espírito aventureiro que não se prende a nada e a ninguém. Ama a tudo e a todos (especialmente a si mesmos) e está sempre com um desejo enorme de se provar, o que o torna insaciável e invariavelmente perigoso.
Há também aqueles que vendem saúde, passam apertando mãos e ajudando a erguer outros que estão caídos; e aqueles que seguem por seguir, remendados, lambuzados de merthiolate e enfaixados com esparadrapo, espalhando toda a sua tristeza ou se fechando em cofres de máxima segurança para não sofrer de novo.

Bem, machucado ou não, um coração é indispensável para uma vida plena! Não o órgão, de carne e sangue, mas aquele outro coração, o da alma, sem o qual a vida perde todo o sentido e todo o sabor. Não há quem não tenha um coração, ainda que esquecido, maltratado ou afogado no poço mais profundo...
Por isso cuide bem do seu, atualmente está difícil transplantar um coração.

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