quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Sem ponteiros




Que tal fazer de conta
Que naquela brincadeira não renasceu uma esperança
Que aquele suspiro não foi saudade
E que os nossos olhares deixaram de se encontrar?

E se a gente fingisse
Que tudo que sonhamos juntos não foi realidade.
Que a indiferença era sincera.
Que aquela onda que beijou a praia trouxe de novo a nossa paz?

Será que assim poderíamos seguir longe um do outro?

E se a gente mentisse
Que no inverno desse ano não sentiremos frio
Que o telefone quando toca
Só lembra as faturas a pagar

E a cadeira vazia do outro lado
É apenas parte do conjunto da mesa.
Ou que as horas que se arrastam em descompasso
São apenas horas que não seguem a mesma direção.

Como se fosse normal um relógio sem ponteiros dizer que é três e meia...

Que tal se a gente aceitasse
Que nem todos os prazeres mundanos
Podem saciar os nossos desejos
Porque tudo que precisamos

É ter um pouco de nós um no outro?

E nem toda voracidade de outros sentimentos,
Outros rostos, outras fantasias,
Pode ser melhor ou mais intenso
Que a nossa troca serena de olhares

Será que nós não estamos errados,
Procurando a felicidade em compassos diferentes
Quando fomos destinados a andar no mesmo ritmo?

Quem sabe se juntássemos nossos ponteiros
Esse relógio voltasse a funcionar
As flores deixassem de secar antes do tempo.
E, talvez, nós lembrássemos o que é sorrir!

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