sábado, 20 de fevereiro de 2010

Não foi à primeira vista

Ao melhor amigo, grande professor de história, comediante nas horas vagas, para o qual eu escrevi sem sequer saber que era minha inspiração.

Eu não te quis da primeira vez que te vi.
Assim como os primeiros pingos de chuva
Nunca molham pra valer,
Ou os raios do sol quando acorda
Que quase não iluminam no nascer do dia

Não, porque todo o teu encanto,
Todos os detalhes da tua perfeição
Não poderiam ser descobertos tão rapidamente
Num simples olhar simpático

Porque os teus mil trejeitos
Não podem ser mostrados em um único gesto.
Porque a verdadeira beleza da tua alma
Não transparece no teu sorriso educado.

Não foi amor à primeira vista.
Foi um querer que veio de mansinho
Se instalando dentro de mim
Quando você não estava ao meu lado.

Depois uma saudade inexplicável
Instalava-se na sua ausência,
E cócegas estranhas tomavam meu corpo
Quando estávamos muito próximos.

Eu comecei a me assustar de verdade
Quando os seus sorrisos começaram a me transformar
De sólido diretamente para líquido.
E todos os minutos do dia pareciam evaporar
Todas as vezes que eu pensava em você.

Não, não foi amor à primeira vista,
Nem à segunda ou terceira ou quarta.
Não foi um arrebatamento louco,
Um querer insano, uma dependência exagerada.
Não, creio que assim é descrita a paixão.

E agora que eu já nem posso mais enumerar
A quantidade de vezes que nos vimos,
Só agora eu posso dizer
Que cada olhar é intenso como novo
Para um velho, conhecido e verdadeiro amor.

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