sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

De tudo o que virá... O que virá?




Eu me pergunto
Se o retinir do riso fresco da minha juventude
Um dia ficará para trás na estrada que leva ao futuro.

Eu imagino, com receio,
Quantos dias de sol irei desperdiçar
Na correria insensata pelo progresso industrial.
Ou se o tempo voará apressado,
Dissipando esse verão
De tardes ensolaradas e gosto de areia e água do mar.

Inquieta eu me pergunto
Se os desenhos de aquarela,
Da aurora da minha infância,
Perder-se-ão sob as camadas da tinta acre da maturidade;
E se o vestido quadriculado,
Daquele São João de quadrilha e passeios de carroça,
Terá suas cores impregnadas pelo cheiro amargo de naftalina barata.

Eu me pergunto, se os amigos de hoje
Estarão ao meu lado no decorrer dos anos,
Se eles irão antes de mim ou presenciarão o meu fim.
E se as nossas brincadeiras e segredos infantis
Serão, um dia, legados importantes para alguém.

Sim, eu me pergunto, com ansiedade incoerente
Se um dia terei todas as respostas para as perguntas
Que me atormentam agora.
Ou se os mistérios que hoje encontro,
Um dia se revelarão para mim.

Eu me pergunto ainda
Se as recordações que me restarem,
Quando a idade vier me falhar a memória,
Serão suficientes para conter a saudade.
Se elas alimentarão meus últimos dias
Com o sabor adocicado de uma infância feliz
Ou a acidez cáustica de uma vida de luta.

Mas imagino que seja cedo demais
Para questionar o que o futuro me reserva
Ou me preocupar com lembranças
De uma juventude que ainda não passou.
Talvez, por ora, baste apenas sonhar.

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