quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Já é Natal...




Então é natal. Mais uma vez, desde aquele primeiro, lá no estábulo, na manjedoura, com uma Estrela bonita brilhando no céu e a Luz do Mundo nascendo na Terra.
Eu, é claro, não acompanhei tudo de pertinho, não me afligi com Maria e as dores do parto, não senti a mesma expectativa que José, também não ouvi o primeiro choro do Verbo que se fez carne. Mas hoje, mais de dois mil anos depois, eu entendo um pouco e compartilho com eles o momento de sublime alegria daquele primeiro natal.
Chegou, enfim, Jesus Cristo. O Deus que, por amor a nós, se faz homem.
Para nossa salvação.

É difícil, para quem ainda não compartilha esse amor, compreender como o natal é o momento da mais pura beleza. Mutio difícil para os que acreditam que é uma data puramente comercial, pessoas desiludidas com o real significado do nascimento do Menino Deus.

"Todos os anos somos convidados a resgatar o sentido pleno do Natal de Jesus, para vivê-lo como cristãos e cristãs, fugindo à mentalidade cada vez mais paganizada de nossa época. Não nos deixemos infectar ou contaminar pelo vírus do consumismo e do materialismo. Infelizmente, antes mesmo de iniciarmos o tempo litúrgico do Advento, enfeites natalinos e a voracidade consumista invadem nossas ruas, lojas e até nossos corações. Com isso, o Natal cristão vai-se transformando em simples recordação do nascimento de nosso Salvador."
(
Dom Nelson Westrupp) (Comunidade Católica Shalom – www.comshalom.org)

Para aqueles que não sabem, explico: o natal se faz no coração de cada um, independente da banalização da data, da comercialização dos sentimentos. O verdadeiro natal não precisa de bolas festivas e presentes com embrulhos chamativos. Cristo nasceu numa manjedoura, sem qualquer luxo. Por que, então, não oferecer-lhe seu coração para que possa renascer neste natal?

Quando a chama da esperança renasce, o desejo por um mundo de paz se faz mais forte, quando o amor ao próximo é verdadeiramente acolhido em nossos corações.

"O Natal é festa de presentes, pequenos gestos de amor. Para lembrar o maior momento da história da humanidade, o grande acontecimento da manifestação do amor de Deus que veio estar conosco, se fez presente para nós. O presente maior é a presença. Num mundo de trevas surgiu uma luz."
(Comunidade Católica Shalom – www.comshalom.org)

Então, chame de natal todo o dia em que você deixa o amor de Deus nascer em você, mas não se esqueça desta data importante.
Não esconda sob as sacolas de compras o verdadeiro motivo da grande festa que é o Natal: Jesus Cristo, 100% Homem e 100% Deus, o Príncipe da Paz, a Luz do Mundo, o Salvador.



Ps:para maiores reflexões sobre o sentido do natal (e também para fazer mais presente a palavra de Deus em sua vida) recomento o site http://laravazz.wordpress.com/ (Sintonia).


Feliz Natal para todos vocês.
E lembrem-se que o protagonista da festa não é o Papai Noel. Nem o Peru.
Que neste Natal vocês possam olhar para o verdadeiro motivo da celebração, para o aniversariante: Jesus!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Escuridão




A cama era grande e confortável, com lençóis perfumados e travesseiros macios. A maioria das pessoas adoraria deitar-se ali por um bom tempo, descansar tranquilamente na maciez do colchão, escorregar agradavelmente na suavidade da seda. Para ele, porém, aquela maravilhosa cama parecia um altar para sacrifícios, apenas um pouco mais incrementado, mas definitivamente uma prévia da morte. Pela janela aberta não passava uma brisa sequer, apenas a claridade forte do sol que inundava o quarto amplo, aquecendo o ambiente e afastando os monstros. Isso não lhe agradava. Ele gostava dos monstros. Gostava de desafiá-los, lutar com eles e vencê-los. Algumas vezes eles até o ajudavam a trabalhar. Ele gostava da escuridão, de poder fechar os olhos e torná-la impenetrável, de sentir-se alheio às confusões do mundo. A visão nunca fora seu sentido favorito. Atrapalhava, segundo pensava, a sua concentração.

Quando ainda era moço, até mesmo na agitação da puberdade, seu melhor brinquedo era isolar-se de todos, apagar as luzes, cumprimentar os monstros e criar.
De olhos fechados, suspenso na escuridão do nada, seus dedos deslizavam pela teclas já conhecidas e traziam à vida as mais belas melodias. Ele as sentia de todas as formas. Seus sabores, seus aromas, as cores destacando-se na negritude da sua mente. As experiências mais incríveis da sua vida passaram longe dos palcos, dos concertos internacionais, dos cofres de bancos lotados com o seu sucesso. Ele precisou apenas de um piano para conseguir alcançar tudo que um homem poderia querer. Todas as cidades, as histórias de amor, as paisagens mais belas, os amigos mais influentes. E todos estavam presentes em suas canções. Uma nova melodia para cada novo sentimento descoberto, para cada mistério do universo desvendado.
É, ele foi feliz, muito feliz.

E durante muito tempo, pode-se dizer, embora desde que o descobriram como gênio pouco tempo tivera para estar com seus monstros. Ele era descrito como o mais novo mestre da música clássica romântica. Um gênio com o toque sombrio do romântico incurável, que passeava com maestria pelo terreno do amor platônico, tornando sua música, dolorosamente apaixonada, irresistível a todos que o escutavam tocar. Entre concertos, coquetéis e cerimônias de homenagem, porém, ele apenas desejava estar em casa, de olhos fechados, contemplando a escuridão amiga. Não podia, é claro. Sua agenda não lhe permitia seu maior e mais verdadeiro prazer. Era necessário correr, trabalhar, produzir.
Ele era um gênio, não podia desapontar seus admiradores, seus seguidores. Havia muitos sentimentos que necessitavam de uma tradução exata, e ele era um exímio tradutor. Não havia sentimento que não pudesse transformar em música, nem música que não estivesse carregada de sentimentos.
Não, não havia tempo para brincar com os monstros.
E ainda assim ele tentou ser feliz.

Construiu uma família, um patrimônio, deixou um legado de imenso valor para a humanidade.
Mas agora, quando finalmente poderia deixar os palcos, quando já oferecera o seu melhor para aqueles a quem amava, agora ele sequer conseguia arrastar-se até o piano, quem dirá manter-se ereto na banqueta! Quando a doença o acometera ele abraçou-a de boa vontade, como uma carta de alforria para um escravo do sucesso. Uma carta que iria libertá-lo para voltar a criar de verdade, com vontade, com felicidade.
Não imaginara que ela lhe tiraria tudo.


E ainda por cima seus filhos tocavam suas músicas sem parar, como se não fosse dolorosa a lembrança de que não mais poderia tocar.
E ele não queria apenas ouvir. Queria criar, criar, criar! Queria as notas rodopiando em sua mente, a melodia escorrendo fluida como mel, seu coração marcando os tempos da canção. Ele queria submergir no escuro, no vazio, na tranqüilidade do nada, depois de passar a vida em uma correria desenfreada.

Ele olhou mais uma vez para a janela aberta. Semicerrou os olhos, franzindo o cenho. Aquela luz estava forte demais. Como os holofotes do sucesso que podaram sua liberdade.
Percebeu que sua composição favorita estava tocando. Ele a tinha composto em uma noite particularmente escura, só um fiapo de lua minguante podia ser visto da janela. Ela soava pura, cândida, quase dolorosamente inocente. Ele tossiu com força, manchando de vermelho os lençóis azuis. Decidiu tentar, afinal, ou jamais teria um segundo de paz.

Com todas as suas reservas de energia ele levantou, caminhando vagarosamente até a janela.
Uma rajada de vento fresco soprou inesperadamente, invadindo seus pulmões debilitados, um pouco antes que ele fechasse a janela e o quarto inteiro mergulhasse na penumbra. Cerrou também as cortinas, tonando mais denso o breu. Ele agora podia divisar as formas conhecidas dos seus monstros, amigos há tanto tempo desaparecidos. Ao fundo a melodia pueril e casta bailava no ar, colorindo o vazio. Ele tossiu violentamente uma, duas, três vezes e então sorriu.
Lá estava ela, afinal.

A última nota soou clara e trêmula e ele deslizou definitivamente para os braços frios da sua eterna musa, a escuridão.

domingo, 7 de novembro de 2010

Após meio século de indicação...

Ó céus, ó vida, ó destino cruel!
Eu sou uma blogueira tão absolutamente avoada! T.T
Como eu ainda tenho coragem de postar alguma coisa nessa vida?
Ok. Sem pânico.
O caso é o seguinte, minha queridíssima Flávia me indicou e presenteou com dois selos de qualidade e eu simplesmente não vi!! Sabe quando?
EM SETEMBRO!!!

Diga se eu não sou uma besta? Completamente avoada! Não sei onde eu ando com essa minha cabeça de vento!

Em todo caso, mesmo sabendo que foi uma terrível falta de vergonha na cara não ter visto o post de indicação na época, eu vou postar aqui os selos que recebi e fazer as outras indicações.



Esse é o Selo de Ouro.

Quem me indicou: A lindíssima Flávia (MILHÕES E QUADRIZILHÕES de desculpaaas!) do Sinônimo de Loucura - http://sinonimodeloucura.blogspot.com/


Teoricamente eu deveria fazer a indicação aos meus 10 blogs preferidos, mas como eu postei recentemente (leia-se há dois dias)sobre blogs que eu recomendo, está mais do que claro a minha indicação. Vide postagem anterior.



Este outro selo aqui é um Selo de Qualidade e além de indicar outros blogs e dizer quem nos indicou, também devemos escrever 9 coisas sobre nós.

Quem me indicou: mais uma vez a Flávia do Sinônimo de Loucura - http://sinonimodeloucura.blogspot.com/

- Nove coisas sobre mim:

. Eu tenho Intolerância à Lactose.


. Minha cabeça vive na lua, meus pensamentos em marte e meu coração é andarilho nesse mundão de Deus.

. Sou doida por capoeira, especialmente a regional.

. Fã tresloucada de Agatha Christie.

. Estudo Relações Internacionais

. Já escrevi três livros inteiros, publiquei um e estrou com seis em andamento.

. Amo ficção-fantasia.

. Acarajé e comida baiana são minhas paixões culinárias.

. Eu sou uma grande e rematada chorona.



E é isso, basicamente.
Os 10 blogs são aqueles, anteriormente citados, espero que os blogueiros fiquem tão felizes quanto eu ao receber os selos.

Até uma próxima postagem.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Uma postagem de referências


Ok, cá estou. Depois de séculos sem postar, dois posts de carreirinha. É que eu simplesmente não consegui evitar. Verdade, eu estou sendo guiada po um impulso de fã meio tresloucada. Talvez o mesmo impulso que fez aquela garota sair de toalha com o nome "Harry Potter" no meio do inverno londrino. Ou da menina que tatuou o nome de Rob Pattinson com uma agulha no braço... Obviamente eu tenho mais massa cinzenta ( e vergonha na cara) que essas pessoas, então eu prefiro expressar toda a minha admiração escrevendo no BLOG e não no corpo. Estou aqui só paracitar meus blogs favoritos, que tem leituras divertidas e fascinantes e são escritos por "gente como a gente". Sem frescuras. Sem nhe nhem nhem. Apenas pelo simples prazer de escrever e ser lido. Como no post sore o DevianArt, segue uma lista do meu TOP 10 dos queridos blogs (tá que já tem uma lista aqui do lado dizendo que eu recomendo, mas e daí? Eu quero tietar, oras!), não necessariamente na ordem de preferência.
São eles:


1# Paixão por Livros - http://paixaoporlivros-vick.blogspot.com/

*por motivos óbvios


2# Caindo de Boca - http://caindo-de-boca.blogspot.com/

*por todo o conteúdo absolutamente incrível, pela maneira divertida como tudo é escrito, por conter postagens muito altruístas que ajudam jovens escritores e por uma série de elementos perfeitos que vocês perceberão assim que passarem por lá


3# Ei, Olha o Meu Livro - http://olhameulivro.blogspot.com/
*pela incrível iniciativa, por toda a boa vontade dos blogueiros em divulgar o trabalho de novos autores. Cada postagem é um tesouro. Vá por mim. Bote fé. Eu garanto!

4# Doces Comentários Ácidos - http://docesacidos.blogspot.com/ *porque o doce é mais gostoso quando tem um azedinho! ^^ Tá, isso não foi uma justificativa coerente, a não ser que você seja muito sagaz e perceba que eu quero dizer que blogs são muito chatos quando não têm um brilho a mais, um sabor especial, um toque diferente... E esse blog tem tudo isso e mais um pouco. Tempero é bom e eu gosto! #alouca -oi

#5 Hey Giulia - http://heygiulia.blogspot.com/

* só o fato de ser de uma escritora incrível já justifica estar na minha lista. ponto final.


#6 Uma Janela Secreta - http://www.umajanelasecreta.com/

*Tem indicações preciosas sobre o maior tesouro da humanidade: a literatura.


#7 Tem quem Goste - http://temquemgoste.wordpress.com/

*Instrutivo, interessante e divertido.


#8 Sintonia - http://laravazz.wordpress.com/

*Porque Deus sempre tem lugar especial na minha vida.


#9 De Novo Caras Pálidas - http://denovocaraspalidas.blogspot.com/

*porque "tudo é sentimento/ o que não é - inventa-se" Theus ^^


#10 Saga Blind - http://www.blindclaire.blogspot.com/

* Um dos livros mais incríveis que você vai ler sobre anjos. E, melhor de tudo, antes de virar modinha! *-*


Bem, é isso.
Obviamente tem outros que eu adoro, que eu me divirto e que admiro, mas esses são meus blogs preferidos. Daqueles que a gente fica parada em frene ao computador apertando F5 sem parar. Parabéns pelos trabalhos tão incríveis e obrigada por animarem meus dias/tardes/noites com o talento de vocês!

Ps: O por que dessa image eu não sei, mas você pode interpretá-la como quiser. O amor... Os livros... A liguagem... Sei lá... Não se pode ser criativo em tudo!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Caleidoscópio Infantil




As viagens entre cidades-fantasma e universos paralelos, as guerras interplanetárias e as gravações de hits de sucesso internacional faziam do meu quintal o lugar mais completo do mundo (talvez até mais que o Bradesco).
Foram muitos os quintais onde brinquei e, não importando o tamanho em metros quadrados, as minhas galáxias sempre cabiam onde quer que eu fosse.
Entre brincadeiras de adivinha, danças de roda e giros alucinantes em balanços de pneu, eu conseguia ver as linhas dos anos que iam passando ficarem curiosamente tênues, enquanto o conhecimento e as experiências chegavam a galope, trazidos pelos anos que se firmavam em meu presente.

Hoje tudo isso parece tão distante no meu ponto de vista racional e razoavelmente adulto.
Fotos em sépia tiradas por olhos ingênuos e buliçosos, que não esperavam mudar, ganharam os contornos embaçados da memória. E quase já não me recordo desses momentos na correria tresloucada da vida adulta.
Uma vez ou outra, quem sabe, quando uma foto travessa escapa de algum álbum antigo, tão bem guardado e tão pouco manuseado.
Mas foram esses pequenos detalhes, essas brincadeiras pueris que me transformaram em quem eu sou.

Quando uma brincadeira de pega-pega pode se tornar decisiva para o seu futuro? Até onde vai a influência dos seus medos infantis, dos monstros debaixo da cama, do refúgio de alta-segurança dentro do guarda-roupas?
Quantas das histórias que escutávamos antes de dormir permanecem hoje, com suas lições, princesas e vilões, em alguns dos nossos atos?
Seria nosso defeito de fabricação esquecer o que aprendemos na infância? Que o óbvio não é óbvio, que tudo pode ser novo quando viramos de cabeça pra baixo.
Ou, pior, seria o maior de nossos defeitos acreditar que temos mais sabedoria hoje que estudamos, classificamos, embalamos e rotulamos do que quando tudo era novidade? Quando tudo era bem vindo, com um quê de surpresa, uma aura de delicioso mistério e grandes previsões de diversão?

Quantas vezes o mundo girou, trazendo mudanças marcantes nas nossas vidas, e nós pensamos que ele havia voltado para o mesmo lugar? Quantas coisas aconteceram naqueles universos paralelos, naquelas galáxias próprias, e que passaram despercebidas, como se não tivessem importância diante dos fatos que se desenrolam no “mundo real”?
A realidade não seria aquilo no que acreditamos? Se acreditamos no amor, isso não deveria torná-lo real?
Parecia tão simples há alguns anos atrás!

Parte de mim, universitária, estudiosa, consciente das precariedades do mundo, estremece de prazer ao imaginar o futuro brilhante, as viagens, os conhecimentos vindouros.
A outra parte –e, devo confessar, a maior delas- quer uma passagem de volta para infância, no vôo da primeira águia que passar sendo pilotada por esquilos. Com escalas nas cidades-fantasmas e estúdios de grandes e anônimas celebridades do rock.

No mais, continuamos a girar, embora o caleidoscópio nunca mais volte a ter aquela mesma imagem.

sábado, 23 de outubro de 2010

Abandonoo...





Ok, minha inspiração tem andado meio escorregadia esses dias, escapando pela tangente, delizando para beeem longe de mim.
Assim, enquanto eu não consigo agarrar a bandida, vou fazer algo diferente da maioria dos meus posts...

Hoje, vamos falar sobre arte e pessoas que fazem arte e, principalmente, as artes que eu adoooro.

Com tanta "arte, arte, arte" era de se esperar que tivesse um site só pra isso. E não é que tem?
(ok, aí vem o trocadilho infame) O DevianArt é um site onde você pode postar diversos tipo de artes visuais, desenhos, fotografias e comics e tudo o mais que sua mente perturbada quiser imaginar.

É muito divertido (pelo menos pra mim) pesquisar imagens para o blog, ver fan arts de meus personagens ou séries favoritas ou ficar babando de inveja (*invejinha brancaa*) por um talento que eu não tenhooo!

Aqui vai uma relação dos meus 10 preferidos no site http://www.deviantart.com/. (não nesta ordem, necessariamente):

1# http://mimi-na.deviantart.com/
2# http://freaky665.deviantart.com/
3# http://kinkei.deviantart.com/
4# http://xhathawayx.deviantart.com/
5# http://adamhughes.deviantart.com/
6# http://callmepo.deviantart.com/
7# http://mariochavez.deviantart.com/
8# http://mashi.deviantart.com/
9# http://princekido.deviantart.com/
10# http://samycat.deviantart.com/

Cliquem em Gallery para ver os trabalhos desses artistas, em especial os que tiverem "chibi", "Disney" e "Pin-up" na legenda. São os meus favoritos! *-*

E se acharem algum especialmente interessante, postem o link nos comentários, por favor.
É a diversão dos meus domingos de tédio.

Beijoooos

*Na próxima espero estar mais inspirada.

domingo, 12 de setembro de 2010

NAS TUAS VEIAS


Pessoas, pessoinhas que acompanham este blog, tenho uma novidade mega incrível pra vocês!
Já está disponível para compras meu romance "Nas Tuas Veias"!!!

Neste livro vocês conhecerão a história de Ruby Summers.
Em pleno século XXI, quando o romantismo já é considerado obsoleto e os contos de fadas são apenas histórias impressas nos livros, Ruby é obrigada a conviver com uma realidade totalmente diferente. E absurda.
Príncipes em velozes montarias de quatro rodas.
Batalhas perigosas e sombrias.
Princesas nem um pouco indefesas.
E uma terrível maldição.

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Para uma divulgação melhor e mais divertida, aqui vao o Primeiro Capítulo de "Nas Tuas Veias".
#1
Ok. Muito bem.
Era uma vez... EU!
Não é assim que nós começamos os contos de fadas?
Pois bem! Era uma vez... A miserável e malfadada eu!
Eu sou aquilo que se pode chamar de amaldiçoada.
No sentido literal da palavra.
Quero dizer, eu realmente fui amaldiçoada, entende?
E é por isso que eu vou agora mesmo cortar meus pulsos com uma página da Larousse. Ou talvez eu apenas vá ao banheiro e jogue o secador ligado dentro da banheira. Mesmo este não sendo o final do meu “conto de fadas” e muito menos o meu “felizes para sempre”. RÁ! Não mesmo.
Isso é o pior: não está no final. É apenas o começo e eu já não suporto mais.
Eu simplesmente não agüento mais. Eu não posso mais viver dessa maneira!
Já passei dezessete longos anos nesse tormento, mas nunca antes senti tanto desespero como agora.
Suponho que sejam os hormônios.
Ohh, ela fez tudo muito bem, aquela bruxa miserável! Ela provavelmente tinha uma boa idéia de como seria desesperador passar pela adolescência com essa maldição infernal!
Ok.
Larousse ou Secador?
Morrer no banheiro, eletrocutada, ou na biblioteca, ensangüentada?

Minha baixa resistência a dor me arrastou para longe das idéias suicidas. Embora elas ainda fossem bastante atraentes para mim, quando as imagens daquela tarde no ensaio pulavam na minha mente.
Entre a Larousse e o secador, eu escolho entrar furiosa no escritório do meu pai.
Ele, como sempre, apenas desvia olhar dos papéis por alguns instantes e, retomando o seu trabalho, pergunta com uma voz irritantemente paciente.

––O que foi dessa vez, preciosa?

Ignorei o fato de ele usar, mais uma vez, o apelido que eu mais odeio no mundo e disparei ofegante de fúria.

––NÃO DÁ! Simplesmente NÃO DÁ mais pra viver assim. Eu não agüento, papai! Eu não fiz nada para merecer isso, mas aqui estou! Dezessete anos de rosas, chocolates, declarações brilhantes e inusitadas, mas nunca, nem uma vezinha sequer, eu consegui sentir absolutamente nada! Eu preciso me apaixonar, papai! EU PRECISO DISSO!

Ele levantou o olhar para mim, nem um pouco abalado com meu desespero.
Quero dizer, não era como se aquela fosse a primeira vez.
Eu praticamente nasci fazendo escândalos, admito. Isso faz a coisa perder um pouco do impacto quando a gente precisa.
Mas o que eu podia fazer? Eu fui amaldiçoada, cara! Isso não é necessariamente uma coisa para se aceitar de bico calado.
Papai largou os papéis. Apoiando os cotovelos na mesa e cruzando os dedos ele me olhou por cima dos óculos, como sempre.
––Ruby, tesouro, essa já é a terceira vez na semana que você vem aqui gritar comigo sobre como tem sido difíceis esses seus dezessete anos. –Ele suspirou e fez um gesto para que eu me sentasse. Caminhei cautelosamente até a poltrona. Eu odiava quando ele era razoável. Conseguia me fazer parecer uma boba. ––Eu vi você crescer, sabe? Eu acompanhei esse dezessete anos de tortura, como você diz. E, sejamos sinceros, você tem sido muito feliz, não tem? Com todo o dinheiro, as viagens, festas e celebridades, não é?
––Sim. –Grunhi. ––Mas nunca me apaixonei.
––Preciosa, ninguém se apaixona aos dezessete anos. Não de verdade. –Ele deu uma risadinha. ––Algumas pessoas têm uns casinhos, umas aventuras. Isso você pode ter. Você pode... Hum... Ficar. Não é esse o termo?
––Sim, mas eu quero o Amor. O amor verdadeiro, com A maiúsculo. E eu sei que nunca vou tê-lo por causa daquela...
––Ruby, Ruby, por favor! –Ele finalmente, finalmente!, pareceu cansado. ––Essa história de novo? Por Deus, tesouro, você está obcecada!
––Não, papai, eu estou amaldiçoada! É bem diferente! –Eu retruquei, me levantando novamente. ––Sabe o que aconteceu hoje, na sessão de fotos para a nossa nova propaganda? Sabe? –Eu não esperei que ele respondesse, apenas comecei a andar de um lado para o outro, narrando o incidente enquanto segurava o ímpeto de atirar coisas pela janela. ––Brandon Wayans se declarou, papai. Na frente de todo mundo. Ele desceu de um helicóptero, jogando pétalas de rosas vermelhas sobre mim, com uma gigantesca caixa de veludo negro em uma das mãos.
––Oh, bem, já houve incidentes piores, Preciosa.
––Papai, era Brandon Wayans. E atrás dele e daquele maldito helicóptero cheio de pétalas de rosas, simplesmente havia um colossal pedido de casamento escrito em fumaça lilás. Com o meu nome nele. –Eu sibilei. E então estaquei, apoiando as mãos na mesa e encarando meu pai nos olhos. ––E eu não senti absolutamente nada. O senhor entende isso, papai? Consegue entender o grau de absurdo do que está acontecendo?
––Querida, é como eu estou sempre dizendo: falaram tanto nessa maluquice de maldição que você se bloqueou. Você não se permite viver novas experiências. Está obcecada!
––Papai, eu não estou obcecada! Eu simplesmente não tenho opção! Eu nunca, de maneira alguma, poderei me apaixonar!– Eu parei ofegante. E então berrei. ––E tudo isso somente porque o senhor não tem inteligência emocional!
––Ruby. –Ele, novamente, manteve-se calmo e tranqüilo. ––Eu não preciso de inteligência emocional. Eu já tenho inteligência comercial suficiente para pagar a terapia de casal que a sua mãe tanto quer. E você tem apenas dezessete anos. Não precisa se apaixonar. Tem que estudar e se superar. O amor virá um dia, na hora certa.

Eu inspirei, engolindo a série de impropérios que queria gritar na cara do meu pai e saí da sala, ainda mais furiosa.
Como sempre, aliás.
Eu já devia ter entendido que conversar com ele não resolveria nada.
A maldição jamais seria quebrada.
Aquela bruxa filha da mãe tinha feito um trabalho bom demais para que os milhões de dólares de meu pai pudessem comprar minha liberdade.
Mas papai não entendia isso. Ele simplesmente dizia que o dinheiro comprava tudo. Tudo mesmo!
Em um silogismo muito incoerente, papai acredita que se tivermos dinheiro poderemos comprar segurança, conforto e saúde. E, ainda segundo o cérebro perturbado do meu papai, se estamos seguros, confortáveis e saudáveis, a felicidade vem de brinde.
De modo que, sim, ele diz, o dinheiro pode comprar a felicidade.
Isso, é claro, ele diz por que não foi amaldiçoado ao nascer.

Eu conhecia a história inteira de cor e salteado.
Que tipo de princesa eu seria se não conhecesse a história da minha própria maldição?
Aliás, eu e toda a América a conhecíamos, depois que papai explorou minha tragédia em um comercial para a nossa rede de resorts.
“Você não tem sorte nos seus relacionamentos? É um azarado no amor? Venha para o Flórida Summer’s Resort e livre-se da sua maldição! Glamour, conforto e uma enorme área de lazer com inúmeras oportunidades para você. Florida Summer’s Resort: o paraíso do amor!”.
Mas, é claro, essas pessoas não tem nem idéia do que é ser amaldiçoado de verdade.
Não é como nos contos de fadas tradicionais, onde há sempre um príncipe bonitão e perfeito, pronto para salvar a donzela indefesa que, facilmente, cai de amores por ele.
Não mesmo.
E era por isso que, apesar de amar papai e mamãe, eu amaldiçoava (no sentido figurado da coisa, é claro) o dia em que eles se casaram.
Sim, porque se meu papai tivesse feito as coisas do jeito certo, de uma maneira digna e decente, ao invés de fugir na calada da noite para casar em Vegas, a sua ex-noiva-bruxa não teria ficado tão enfurecida e eu teria uma vida comum e feliz, saracoteando pelas noites quentes da Flórida e sofrendo por amor, como qualquer garota normal.
Ao invés disso, eu sou a Garota da Maldição.

“Linda e inteligente ela será,
E há de arrancar suspiros por onde passar.
Mas jamais encontrará o verdadeiro amor,
Se o sangue que corre em suas veias o mesmo não for”

É, eu sei, deprimente.
Rimas pobres, métrica péssima, vocabulário deplorável.
Mas ainda assim uma maldição.
Muito eficiente na verdade.
Agora, como papai se meteu com uma bruxa louca e iletrada eu não sei.
Ele nunca me contou.
Suponho que seja vergonhoso demais admitir para sua filha que estragou a vida dela para todo sempre ao largar uma bruxa poderosa às vésperas do casamento.
Não, invés disso ele desconversa, diz que eu preciso de terapia para retirar o bloqueio que EU MESMA me atribuí e que essa história de magia não existe.
Ele sempre parece racional e coerente.
Mas eu sei que é tudo mentira.
Porque eu já tive os melhores homens do mundo aos meus pés, como Brandon Wayans a nova celebridade, que ganhou 9 Oscars no último ano, e me comprou um diamante do tamanho de uma lâmpada incandescente.
E ainda assim eu não senti absolutamente nenhuma emoção.
Nem um frisson. Nem um pequeno arrepio de prazer ao ser cortejada.
Eu sou amorosamente estéril.

Agora, veja bem, não é como se nós, eu e mamãe, não tivéssemos tentando quebrar a maldição. Digo, da maneira como está descrita, aquela coisa do mesmo sangue e tudo mais.
E o fato é: aquela mandingueira maligna sabia bem o que estava fazendo. Porque papai é filho único e mamãe perdeu toda a família em um acidente aéreo poucos anos antes de conhecê-lo. De modo que eu simplesmente não tenho nenhum parente próximo “cujo sangue que corre em suas veias seja o mesmo que o meu e blá blá blá.”
Nós procuramos. Muito!
Papai tem um império hoteleiro. Eu sou a musa das suas campanhas publicitárias.
A Princesinha do Verão, é como me chamam.
Se houvesse alguém, em algum lugar, que faça parte da nossa família, com certeza apareceria num piscar de olhos, atrás de fama e fortuna.
Mas ninguém jamais apareceu, mesmo depois da “divulgação” da minha maldição.
Então contratamos os melhores detetives do mundo, remontamos toda a história da família, caçamos um por um os ramos da nossa árvore genealógica.
E não encontramos nada.
Quero dizer, há realmente um tal de tio Bullster no interior mais fim de mundo do Alabama, mas ele tem 85 anos e, por mais que eu tenha me esforçado, não consegui sentir nenhum tipo de emoção com ele.
A não ser, é claro, o nojinho quando ele começou a palitar os dentes com uma farpa de madeira arrancada da coleira do seu cachorro.
E também há um primo bem distante de mamãe, algo como o filho da tia do pai da prima em sexto grau da meia-irmã da avó da minha mãe.
Chama-se Winston, que vive em Oxfordshire, Inglaterra, com uma adorável esposa inglesa de nariz empinado e oito filhas. Exato. OITO filhas. E nem um mísero menininho que eu pudesse esperar criogenicamente congelada até que ele crescesse para, então, me apaixonar ou algo assim.
Não, simplesmente não há nada, nem uma brecha, nem uma mísera brechinha nessa maldita maldição.

E foi pensando muito nisso tudo que eu fui para o meu quarto, frustrada e furiosa, para mais um sessão de “pés na bunda” que eu teria que dar nos modelos, atores e empresários famosos que corriam atrás de mim como o Coyote atrás do Papa Léguas.
E eu, exatamente como o Papa Léguas, não dava a mínima para nenhum deles.
Apertei o botão da secretária eletrônica e me preparei para as longas horas de escusas e “nãos”, enquanto o primeiro recado enchia o meu quarto, com uma voz grave e máscula que não despertava em mim nenhuma emoção.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O cara da locadora





Sua barriga revirava de ansiedade toda manhã de sexta-feira. Depois de passar a noite inteira imerso em sonhos dançantes, entre tangos, valsas e boleros, “Ela vai estar lá”, era a primeira coisa que pensava.
A aparição dos seus sonhos. De bochechas rosadas, os lábios cheios e vermelhos que sempre pareciam ter um sorriso pendurado em um dos cantos, a voz que tilintava como sinos celestiais, os olhos grandes e azuis, como duas poças de céu... Um anjo é como ele a via.
Um anjo suave, delicado e louco por bons clássicos antigos.
Seus preferidos eram os musicais. Sete noivas para sete irmãos, Gigi, Cantando na Chuva, O Picolino, Chicago, Grease, Moulin Rouge...
Ela sempre saia da locadora com três ou quatro grandes clássicos e ele sentia o ambiente esfriar de uma maneira sobrenatural. Então pegava os mesmos filmes e assistia, amargurado, tentando matar um pouco da sua frustração.

De vez em quando ela pedia uma informação e ele a bombardeava com sugestões de filmes e comentários inteligentes sobre as produções. Ela agradecia, as bochechas ruborizadas como uma donzela vitoriana, e sorria da sua tentativa de impressioná-la.
Era um verdadeiro pateta! Ora ficava mudo, sem esboçar palavra quando encarava seus olhos, ora soltava-as aos borbotões, gaguejando, tropeçando nas vírgulas e desconsiderando qualquer outro tipo de pontuação.
É claro que pensava, quando sua capacidade de raciocínio voltava, em convidá-la para sair. Um café, uma dança, um casamento.
O que ela preferisse.
Mas ela nunca ficava tempo o suficiente, nem o olhava além do tempo necessário para um comprimento cordial, enquanto caminhava entre as estantes repletas de filmes, procurando pelos mais antigos e dançantes, com muitos vestidos esvoaçantes, piruetas e rodopios.
E quando ela achava, Deus do céu!, era a melhor parte do dia dele!
A maneira como os olhos azuis cintilavam ao ver um “Fred Astaire-Ginger Rogers”, e ela se balançava para frente e para trás, suavemente, lembrando-se de alguma melodia, ou dava pulos de alegria ao descobrir um desconhecido do Gene Kelly... Ele poderia passar horas observando-a sem cessar e ainda não seria o suficiente.
E ainda assim ela não notava como suas mãos tremiam ao entregar-lhe os filmes, de vez em quando acompanhados por um presentinho que ele fingia ser brinde para os melhores clientes, ou como ele acompanhava cada passo seu com adoração, traçando mentalmente a valsa perfeita para eles.
Uma quinta-feira, porém, decidiu tomar uma atitude. Não poderia continuar ruminando sua solidão amarga entre um filme e outro.
Aquilo acabaria por matá-lo.
Ou no mínimo mandá-lo direto para um hospício!

Tentou escrever uma pequena carta de amor, mas esta saiu ridícula, como todas as cartas de amor. Sua letra estava quase ilegível, tamanho o seu desespero. Por fim, decidiu-se por uma frase. Um título, na verdade, com o convite que ele não tinha coragem de fazer pessoalmente (Dança comigo?), e colocou dentro do seu clássico preferido E o vento levou...
Passou a tarde inteira suando frio, até que ela chegou, quase etérea, como sempre, aparentemente inatingível.
Ela passeou pela locadora, quase dançando, enquanto escolhia. Estava em dúvida e, ele reparou, enrolava uma mecha do cabelo dourado quando ficava assim.
Fez uma pergunta qualquer sobre Papai Pernilongo, e ele respondeu automaticamente, sem prestar muita atenção ao que dizia, enquanto guardava os filmes.
Ela sorriu quando ele lhe entregou a sacola, sem reparar que havia um filme a mais, agradeceu em voz baixa, musical, e saiu de lá.
Ele passou o fim de semana inteiro em agonia, as borboletas dançando um tango em seu estômago. Pensou em não ir na segunda-feira, mas a curiosidade era demais e, afinal, ela não iria aparecer. Seu irmão sempre devolvia os filmes. Aquele era o trato, ele achava.
Não, ela não iria aparecer, pensou.
E, de fato, durante toda a tarde de segunda-feira não houve sinal dela. Quando já estava quase fechando a locadora, no final do expediente, o garoto chegou. Um rapazote de doze anos, ofegante, os olhos tão azuis quanto os dela. Pediu desculpas pelo atraso. “O futebol, cara. Você entende.”, disse em quê de desculpas, e então foi embora.
Trêmulo, ele abriu a capa do filme, sentando no banquinho e tentando acalmar as borboletas. Aquelas malditas borboletas. Como alguém poderia gostar delas?
Dentro havia um bilhete. Ele não esperava realmente que ela respondesse. Suas mãos começaram a suar. Ler ou não ler? Maldita seja a questão!
Quase com medo, porem decidido, ele abriu o bilhete. Em uma caligrafia delicada e pequena, ela respondeu.
“Talvez, quando você estiver Cantando na chuva sob As luzes da cidade, nós possamos dançar a Sinfonia de paris. Mas até lá, aceito apenas um café.”

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Ah, se eu fosse marinheiro!





Quando ele entrou na sala seu coração parou e Samantha desconfiou seriamente de que aquele seria seu último dia na terra.
Seus olhos eram tão intensos e tão negros que pareciam abismos sem fim, onde ela se abandonaria de corpo e alma, sem reclamar. E sua boca, tão vermelha e bem desenhada, lhe dava ganas de beijá-la pelos próximos dois séculos... Sem parar para respirar!
Seus braços eram fortes e sua voz grave, e ela ficou imaginando como seria ser abraçada por ele e ouvi-lo dizer coisas românticas ao pé do seu ouvido.
Com um porte dominador e um jeito de quem sabe do que está falando ele conseguiu hipnotizá-la de forma que ela bebia suas palavras como se fosse o mais puro néctar... Mesmo sem prestar atenção no que estava “bebendo”.
Nos poucos minutos que ele deixou-se ficar naquela sala, ela teve as fantasias mais loucamente românticas da sua vida. Passeou pelas praias mais belas, nadou nos rios mais puros, andou num chão coberto de estrelas, voou pelo universo vendo o nascimento das galáxias, dançando entre os astros e até foi além!
Enfim, quando ele saiu de lá, ela percebeu-se perdidamente apaixonada (de novo!).



E agora? Com a descoberta vem sempre o desespero. O que fazer?


E se ele não quiser?


E se ele já for comprometido?


E se não rolar a química?


E se ele já estiver interessado em alguma outra garota, ou pior, em alguma amiga?


Ela tinha que saber as respostas!



Lá estava ela novamente naquele jogo complicado que era amar. Agora seus dias seriam preenchidos com horas e horas de debate com suas amigas sobre a melhor maneira de cruzar “acidentalmente” o caminho do gato, ou imaginando as situações que poderiam vir a acontecer. Tudo milimetricamente calculado, nos mais ínfimos detalhes, para que não houvesse a hipótese de falhar. Seria um trabalho cansativo, porém a diversão também era garantida. E por que não começar imediatamente? Afinal, a aula seguinte seria de matemática (como se ela estivesse mesmo ligando pra incógnitas, equações e funções de primeiro grau!), nada de realmente importante.



“Trabalharam” tão bem durante as aulas que no meio da tarde já sabiam o nome, a sala em que ele estudava, o estado civil, os amigos que tinham em comum, o CPF, o RG, a filiação e todo o histórico escolar do rapaz em questão.
Os amigos em comum, graças a DEUS, eram muitos! Não seria nada difícil ser apresentada “casualmente” a ele, por uma de suas amigas casamenteiras...
E foi exatamente assim que, de uma maneira não muito mágica, começou a nova história de amor de Samantha.
Logo de cara os dois descobriram muitos interesses em comum e as conversas entre eles eram sempre interrompidas por ataques de risos ou beijos carinhosos.
Em três dias viraram o “casal 20” do colégio, o par mais bonito, mais fofo, mais romântico, “mais mais”!



O começo foi lindo, bem leve, e Samantha se sentia tranqüila, em paz. O tempo que passavam juntos era ótimo e, embora aquém dos seus devaneios amorosos, ele era maravilhoso!
Gentil, engraçado, interessante, carinhoso, atencioso, inteligente... Enfim, um amor de pessoa, com um sem número de qualidades. É bem verdade que ele era muito mandão e meio impaciente à vezes, mas que jeito? Coisas da humanidade.
Samantha tomava o cuidado de não se envolver demais, não enxergar mais do que devia, não esperar mais do que podia... Mas era tão difícil! Ela estava nas nuvens e, bem, de lá de cima fica meio difícil de enxergar o que acontece realmente...



Ela bem que sentiu o coração apertado no dia que ele passou ao seu lado e não sorriu daquele jeito de criança travessa, mas deixou pra lá. Qualquer um tem um dia ruim de vez em quando.
Mas o que fazer quando esse “de vez em quando” se torna “sempre”? Quando começa a cair na rotina e o sentimento de novidade que impulsiona o desejo pelas descobertas parece evaporar? Quando já não há tanta entrega nos beijos? Quando a amizade se faz mais forte e transforma a paixão? E, pior, quando isso acontece apenas com uma das partes? Alguém sempre sobra no final.



É como o jogo de sinais, da matemática, quando os dois números são positivos, beleza, resultado positivo! Quando os dois são negativos o resultado também é positivo. Mas quando um é positivo e o outro é negativo...
O tempo foi passando e algo não estava bem. Talvez a magia estivesse acabando, os defeitos estivessem se acentuando, ela não sabia dizer o que era, mas a ilusão estava no fim, disso Samantha tinha certeza.
Ao que parecia, ela estava com a carga positiva, mas ele... Bem, não é difícil descobrir quem ia sobrar no final, mas mesmo assim Samantha continuou a sonhar e a curtir todos os momentos (agora bastante escassos) que passavam juntos.
E foi com um nó na garganta e com o coração partido que ela ouviu (fingindo descaradamente que estava tudo bem) quando ele disse que não dava mais.
O mais difícil foi ouvi-lo dizer todas as suas qualidades... Se ela era tão perfeita assim, por que acabar? Ele não sabia o que estava perdendo? Então por que, pelo amor de Deus?
Mas ela não falou nada, apenas ensaiou um sorriso colorido e aceitou.



Tão rápido, tão intenso e tão passageiro. Agora era só remendar o coração mais uma vez, levantar âncora e se preparar para a próxima desilusão.


Até chegar ao seu porto seguro Samantha enfrentaria muitas dessas tormentas.
E como é gostoso entregar-se e mergulhar de cabeça no mar das confusões amorosas! Ok, às vezes um leve afogamento, um mergulho no raso, uma onda particularmente grande, deixam alguns hematomas, mas há tantos mares para navegar, águas desconhecidas para explorar, e tantos portos com situações surpreendentes!
Uma vida inteira, com profundidade oceânica, para se viver e sonhar.
O céu azul, o vento a favor. Içar âncora! Soltar velas! Toda força à frente, marujos! Toda força à frente!

terça-feira, 22 de junho de 2010

A natureza da saudade





Uma chuva de saudade me molhou
E agora ela não quer mais secar.
Diga a ela, meu São Pedro, por favor,
Que a represa em meus olhos vai transbordar.

O passarinho da saudade em mim pousou
Fez do meu peito o seu ninho pra morar
Oh, São Francisco, peça a ele, por favor,
Que alce vôo para nunca mais voltar.

Uma noite de saudade me cegou
Ando sozinha sem saber onde pisar
Acenda estrelas, Santa Clara, por favor,
Para essas trevas, sem demora, dissipar.

A primavera do amor desabrochou
Mas há um botão que ainda não quer florescer
Santa Teresinha, diga a ele, por favor,
Que se não abre de saudade vou morrer.

Tão natural em cada rosto ver você,
Ouvir tua voz no sopro tímido do vento,
Sentir o gelo do meu coração derreter
E recuar nas areias quentes do tempo.

O horizonte de crepúsculo azulado
Traz uma dor tão misturada com o prazer
Que todos os santos têm o peito angustiado
Na ansiedade de me ver amar você.

A saudade é o mais arcano elemento
Dentre os maiores prodígios da natureza
É a junção de distintos sentimentos,
Do amor a suavidade e da solidão a crueza.

Mas há também uma grande sabedoria,
Uma coisinha criada para aliviar
O coração que arde e queima em agonia
Até a hora do reencontro chegar.

Da natureza é a lembrança o consolo
Para o desespero que ataca o coração.
O meu, aflito, anseia por esse conforto
Desde o dia da nossa separação.

O oceano, imensidão da natureza,
Projeta longe uma centelha de amor
Com uma onda ele apaga a tristeza
Que na praia, solitária, encontrou.

E a explosão que ocorre nesse reencontro,
O oceano beijando a praia sem cessar,
É mais suave que o mais simples dos planos
Que eu tracei pra quando te encontrar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A *Sinestesia do Amor


Nos lugares aonde eu vou
Eu ouço o som dos seus perfumes.

Os passos estranhos na rua
Têm o gosto do seu andar.


Como não pensar em você

Quando os abraços têm suas cores

Cada sombra grita seu nome

E as estrelas têm seu sabor?


Os aromas perdem os seus tons

E as horas escorrem frias,

Sussurram silêncios brancos,

Queimando, quando você não está.


No seu olhar eu sinto

O cheiro de maresia

Que refresca as cores da música

E suaviza a textura do céu


E quando você me toca,

Com sua confusão colorida de números,

Eu sinto as nuances do mar em mim


E o gosto diferente do pôr-do-sol

Sem pensar muito,
Ouvindo a cor dos seus olhos,
Eu cheiro os seus gostos inquietos

E percebo todos os sentidos do amor



* Sinestesia: é o termo utilizado para definir a relação entre diferentes planos sensoriais, que conferem diferentes significados a uma mesma frase. Metáfora dos sentidos.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

{Sem título e Sem Inspiração}



Eu estava me acostumando
A caminhar sozinha e não olhar para os lados
Eu estava quase certa
De que as estrelas não precisavam brilhar,
Eu já sabia andar no escuro

Não me importava mais
Que todas as cores do mar
Ficassem perdidas num dia nublado
Eu não queria saber que tempo fazia
Porque de qualquer forma eu ficaria bem.

Eu já estava acreditando
Que não fazia diferença estar com alguém
Porque eu já sabia cuidar de mim
E aprendi a ficar feliz com outras formas de amor.

Aos poucos fui descobrindo
Como apreciar cada pequeno momento de solidão
Fui aprendendo a valorizar
A beleza de conhecer a mim mesma

Com isso eu aprendi muito.
Foi longo e doloroso,
Mas eu finalmente descobri
Como e por onde andar

E então, Drummond que o diga,
Apareceu uma pedra no meio do caminho
E no meio do meu caminho
A pedra da mudança foi você.

sábado, 27 de março de 2010

Ora, quem inventou a saudade...


...Tenha a decência de reinventar!



Vamos! Isso não é pedir muito.
Desinventar é que seria demais, afinal ela tem lá suas qualidades.
Mas, seu moço, dê um jeitinho pra ela se aproximar suavemente. Que chegue mais quieta, talvez na calada da noite, um pouquinho antes do sono que é pro sofrimento ser mais breve.
Remodele suas formas, meu amigo inventador. Confira-lhe um novo toque, mais brando. Sem garras, de preferência.
Talvez a maciez aveludada das rosas?
Algo que não nos faça estremecer, que ao contato, por menor que seja, cause mais conforto que dor.
Que ela não mais rasgue o peito e nem torture o coração! Isso é crueldade, meu caro.
Os ativistas vão atrás do senhor!
E também que ela tenha melhores ouvidos, para atender aos nossos apelos, aos “ais” dos apaixonados, aos sussurros angustiados.
Torne essa dona mais mansa, seu moço , que ela é arredia como a peste!
Não há como dominar a fera, que invade os pensamentos como ciclone ou furacão, deixa tudo fora do lugar e trata de dilacerar a alma em vários tons de roxo, com requintada maldade, ao relembrar que há no aqui a distância.
E há no presente a ausência.
E ainda lembra do amor a partida!
Ora, seu moço, vamos lá!
Quando já está quase seca a ferida, Saudade relembra o momento. Aquela noite especial, já ida. Os afagos, murmúrios, olhares na despedida.
Isso lá é coisa que se faça, meu amigo?
E, como se não bastasse dar-lhe esse poder de recordação, de tocar no peito e abrir feridas, o senhor ainda inventa de dar-lhe “boas companhias”!
Não, não. Não bastasse a dor que causa sozinha, ainda trás suas melhores amigas!
O trio da “felicidade” que de uma só vez nos arrasa: Inquietação, Angústia e Saudade.
Quanta indecência, senhor! Onde já se viu fazer um coração sofrer assim!
Não é possível, meu amigo, que jamais tenha amado alguém!
Que ao sentir um perfume, ouvir uma música, passear por um lugar conhecido, não se tenha lembrado um amor querido!
É dessa lembrança gostosa, de uma nostalgia tão boa, de que falo ao senhor. Em nome dos apaixonados, dos que tem o peito rasgado, que lhes sangra o coração, é que venho pedir, muito encarecidamente: ponha a mão na consciência, meu amigo, e trate de mudar essa Saudade, que está por demais doída!
E é uma dor que dói tanto que até a própria Saudade veio dela se queixar!
Ora, senhor, tenha a decência de reinventar!
Pelo bem daqueles que amam, que gostam de relembrar.
Pelo seu próprio bem, meu amigo, que das misérias da Saudade um dia há de gozar.

sexta-feira, 26 de março de 2010

PAIN (Dor)




Veridiana estava sentada no fundo da sala de aula, um pouco isolada do resto da turma. Seus olhos estavam marejados e suas narinas abriam e fechavam... Ela ficava cada vez mais vermelha com o esforço para não chorar, mas a cascata de lágrimas iria jorrar de um jeito ou de outro.
Já era a terceira vez no mês que Veridiana saía da sala debulhando-se em lágrimas, com as amigas matraqueando irritantemente à sua volta querendo falar de algo que ela não queria.
Veridiana sabia que se descobrissem o motivo elas iriam brigar com ela e isso era a última coisa de que ela precisava no momento.
Naquele dia ela havia passado novamente pela Loja de Calçados e o vira. Quando percebeu o seu olhar, ele assumiu aquele ar de falsa indiferença que sempre a magoava tanto. Ele sabia de tudo, então por que não a deixava em paz? Se sabia que ela o amava tanto e que sofria por ele, por que alimentar esse sentimento? Ou atira-la ao abismo mais profundo de dor e agonia passando com outra mulher na sua frente? Como ele podia ser tão cínico, tão cruel?
Veridiana sofria desesperadamente. Não queria sair, não queria conversar ou comer. Vivia mergulhada em pensamentos sombrios, tão obscuros que fariam o mais perverso seguidor das trevas correr para o colo da mamãe.
Mas o tempo foi passando e ela foi ficando cansada de chorar. Além de criar rugas e dar dores de cabeça, era tão inútil!
Enfim ela percebeu que a mágoa transformara-se em revolta, e todo aquele amor foi convertido em um ódio cego e frio.
Veridiana, então, resolveu que iria executar o plano que, por brincadeira, criara com sua amiga há algum tempo atrás.
Ela iria retirar, com toda delicadeza e educação, Carlos Eduardo da sua vida. De uma vez por todas... Para sempre!
Essa semana se passou sem que Veridiana derramasse mais uma lágrima sequer. Passara a viver em função do seu plano de vingança e não fazia mais nada a não ser programar tudo com afinco e exatidão, para que nada pudesse dar errado.
Chegou o fim do mês e com ele o fim do prazo que dera a si mesma para cumprir com o plano (agora pronto para ser executado e sem nenhuma possibilidade de falha). Ela estava tensa, ansiosa, afinal iria fazê-lo pagar pelo tanto que a fizera sofrer... Mas a verdade é que ela sentia, também, uma ponta de remorso.
Veridiana olhou para as coisas guardadas numa gaveta do seu guarda-roupa: o canudo (foi uma confusão cômica para conseguir algo que já tocara os lábios dele!), a foto (tirada em uma festa na sua casa! Ele estivera lindo àquela noite), frases soltas e textos em inglês que ela escrevia pensando nele, os bilhetes cafajestes que Carlos Eduardo lhe escrevera apenas para iludi-la. No seu celular, várias mensagens dele na caixa de entrada (como alguém pode ser tão monstruoso assim? Ele tinha que pagar!).
O remorso sumiu magicamente. Ela apagou todas as mensagens do celular, pegou todas as recordações da gaveta e tudo mais que lhe lembrava Carlos Eduardo, pôs numa caixa, no quintal, regou com álcool e atirou o fósforo aceso.
Ficou hipnotizada, olhando todo o seu passado queimar. O interessante era que o seu fogo interior era muito mais forte, muito mais violento e mortal que aquele que queimava suas lembranças. Veridiana continuou ali até que a última cinza fosse carregada pelo vento.

A noite estava escura e limpa, sem lua, nuvens ou estrelas no céu. O ar estava pesado e as ruas desertas e silenciosas.
Já era tarde, mas Carlos Eduardo ainda estava na Loja de Calçados, fechando o caixa. Detestava ficar sozinho fazendo hora extra, mas não tinha lá muitas opções.
Por um instante, ao desviar o olhar, pensou ter visto algo passando para o depósito, mas olhando atentamente não conseguiu ver mais nada. Voltou a concentrar-se no seu trabalho e, segundos depois, estava inconsciente e sendo arrastado para dentro do depósito por um pequeno vulto negro.
No exato momento em que Carlos Eduardo voltou à consciência sentiu uma dor aguda e sentiu que sua mandíbula estava quebrada. Tentou mover-se, mas percebeu que estava fortemente amarrado a uma cadeira, com a cabeça erguida imobilizada por um lenço amarrado à sua testa e atado às cordas que lhe prendiam os braços para trás.
Tentou fechar a boca novamente, mas a dor estava tão insuportável que por um momento pensou que tornaria a perder a consciência.
Seu algoz estava todo de preto, mascarado e com luvas. Trazia uma corrente prateada pendurada no pescoço. O pingente de caveira lhe pareceu familiar, mas ele estava sofrendo demais para lembrar-se de onde o conhecia.
Os olhos de Carlos Eduardo fizeram a pergunta que a boca não podia fazer (o que está acontecendo?), mas não houve resposta.
Carlos Eduardo mirava o teto desesperado, enquanto aquela figura sinistra retirava um grande lençol de dentro de um saco e pegava um alicate em sua caixa de ferramentas.
Cobriu o corpo do infeliz e começou a trabalhar tranquilamente.
Ajustou o alicate no último dente de Carlos Eduardo e começou a puxar bem de leve, como se estivesse apenas testando, mas parou logo em seguida. Como pudera se esquecer disso? Foi até a caixa de ferramentas pegou uma longa e afiada tesoura de costura. Sem muita cerimônia cortou a língua de seu prisioneiro, que não teve nem tempo de gritar, coitado.
Em seguida tornou a ajustar o alicate, mas agora decidira começar pelos dentes da frente. Um a um, com muita paciência e cuidado, todos os dentes de Carlos Eduardo foram arrancados... Sem anestesia.
Como eram dentes permanentes o trabalho demorou um pouco para ser concluído, entre muitos puxões fortes do maníaco, gemidos desesperados e desmaios ocasionais da vítima. Dois ou três dentes não foram arrancados com sucesso, metade das raízes continuou lá dentro, então o psicopata teve que “cavar” e raspar um pouco para que saíssem. Carlos Eduardo tinha as raízes dos dentes enormes.
Ele chorava copiosamente, soltava gemidos guturais, sem poder falar ou gritar, desmaiava a todo instante, mas o carrasco sempre o fazia reanimar para poder continuar a tortura.
Carlos Eduardo estava inconsciente quando o lençol, agora ensangüentado, foi retirado do seu corpo. O maníaco pegou uma faca afiada (tramontina!) e, segurando firme, escreveu na testa de Carlos Eduardo: PAIN, em letras graúdas e com o corte profundo. Em seguida reanimou o rapaz. O próximo passo deveria ter a atenção que merecia.
Ele pegou um barbeador (Prestobarba: com molas que se ajustam ao seu barbear!) e passou com força, arrancando grandes tiras de carne ensangüentada, na gengiva de Carlos Eduardo, que sentiu uma dor excruciante e desmaiou na metade do percurso. Ele já estava mais morto que vivo, mas seu algoz não desistia, e o reanimou mais uma vez.
Passou sal-grosso e sanativo na massa sangrenta que se tornara a gengiva do pobre rapaz, fazendo-o contorcer-se (na medida do possível) de dor e agonia.
Foi então que despejou álcool na boca escancarada e sanguinolenta de Carlos Eduardo e pegou um fósforo. Antes de acendê-lo, porém, retirou a máscara e mirou os olhos surpresos, já quase sem vida, da pessoa que um dia amara tanto. E disse com a voz dura, impregnada de crueldade e dor:
––Não me culpe, foi você quem me matou primeiro.
Riscou o fósforo e jogou-o na boca dele. Ficou observando o fogo consumi-lo, de dentro pra fora, como aconteceu com ela por tanto tempo. O brilho de ódio desapareceu dos seus olhos enquanto via Carlos Eduardo queimar, desesperado e impotente. Pôs a máscara e saiu. Cedo ou tarde alguém notaria que a Loja de Calçados estava pegando fogo.
Ao chegar em casa, Veridiana tomou um banho relaxante e, de agora em diante sempre sorrindo, foi ouvir o bom e velho som do Nirvana.
Dentro do armário da cozinha, ao lado de muitas outras, repousava inocentemente uma certa caixinha de fósforos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Saudosistas, Avante!




As viagens entre cidades-fantasma e universos paralelos, as guerras interplanetárias e as gravações de hits de sucesso internacional faziam do meu quintal o lugar mais completo do mundo (talvez até mais que o Bradesco).
Foram muitos os quintais onde brinquei e, não importando o tamanho em metros quadrados, as minhas galáxias sempre cabiam onde quer que eu fosse.
Entre brincadeiras de adivinha, danças de roda e giros alucinantes em balanços de pneu, eu conseguia ver as linhas dos anos que iam passando ficarem curiosamente tênues, enquanto o conhecimento e as experiências chegavam a galope, trazidos pelos anos que se firmavam em meu presente.
Hoje tudo isso parece tão distante no meu ponto de vista racional e razoavelmente adulto. Fotos em sépia tiradas por olhos ingênuos e buliçosos, que não esperavam mudar, ganharam os contornos embaçados da memória. E quase já não me recordo desses momentos na correria tresloucada da vida adulta. Uma vez ou outra, quem sabe, quando uma foto travessa escapa de algum álbum antigo, tão bem guardado e tão pouco manuseado.
Mas foram esses pequenos detalhes, essas brincadeiras pueris que me transformaram em quem eu sou.
Quando uma brincadeira de pega-pega pode se tornar decisiva para o seu futuro? Até onde vai a influência dos seus medos infantis, dos monstros debaixo da cama, do refúgio de alta-segurança dentro do guarda-roupas?
Quantas das histórias que escutávamos antes de dormir permanecem hoje, com suas lições, princesas e vilões, em alguns dos nossos atos?
Seria nosso defeito de fabricação esquecer o que aprendemos na infância? Que o óbvio não é óbvio, que tudo pode ser novo quando viramos de cabeça pra baixo.
Ou, pior, seria o maior de nossos defeitos acreditar que temos mais sabedoria hoje que estudamos, classificamos, embalamos e rotulamos do que quando tudo era novidade? Quando tudo era bem vindo, com um quê de surpresa, uma aura de delicioso mistério e grandes previsões de diversão?
Parte de mim, universitária, estudiosa, consciente das precariedades do mundo, estremece de prazer ao imaginar o futuro brilhante, as viagens, os conhecimentos vindouros.
A outra parte –e, devo confessar, a maior delas- quer uma passagem de volta para infância, no vôo da primeira água que passar sendo pilotada por esquilos. Com escalas nas cidades-fantasmas e estúdios de grandes e anônimas celebridades do rock.

No mais, continuamos a girar, embora o caleidoscópio nunca mais volte a ter aquela mesma imagem.


*Não reparem na incoerência do texto. A mão infantil que deveria me guiar, hoje estava emburrada.*

quinta-feira, 11 de março de 2010

Voluntariado




Ele estava extremamente constrangido.
Convidá-la para sair havia sido, com certeza, a pior idéia de sua vida. O que ele estava pensando, afinal? Ela era só uma garota!
Não interessava se ela tinha uma conversa agradável e inteligente, ou que dentro de três meses já poderia consumir bebidas alcoólicas legalmente.
Ainda assim a diferença de idade era absurda.
Ela lhe brindou com um sorriso faiscante e dolorosamente juvenil.
––Eu sei o que você está pensando. – Disse, com um quê de clarividência.
––Não é muito difícil de descobrir, depois do comentário do garçom. – Ele respondeu amargurado, encolhendo-se levemente com a lembrança vergonhosa.
––Ora, por favor, Ricardo! Não seja infantil. Foi apenas um engano.
Ele riu com a bronca. Uma menina! Quase uma criança, e pedindo-lhe que não fosse infantil! Seria cômico se ele não se sentisse tão mal.
––Mas ele tem razão, sabe? Você podia ser minha filha.
––Claro que não. Quantos anos você tem?
––Trinta e cinco.
Ela bufou desdenhosamente e comentou com superioridade.
––Pelo amor de Deus! Meu pai é dezessete anos mais velho que você. Aliás, quando você nasceu ele já era noivo! O máximo que você poderia ser era meu tio.
––Mesmo assim. A diferença de idade entre nós é enorme.
––Engraçado. Eu não sabia que havia um limite de idade para pessoas jantarem juntas. – Ela sorriu de leve, claramente tentando acalmá-lo. ––As pizzarias estão cada vez mais exigentes, não acha?
Ricardo riu, um pouco mais confortável.
––Tem razão. É só uma pizza.
––SÓ uma pizza? – Ela arregalou os olhos. ––Meu amigo, este é o tipo de pizza que colocaria uma nação inteira de joelhos! Como você ousa subestimá-la desse jeito?
Os dois riram da palhaçada e a noite seguiu deliciosamente agradável, entre comentários sérios sobre as roubalheiras no Planalto Central e piadas ridículas sobre os acasos da vida.
No fim da noite, antes que o relógio batesse dez horas, eles se despediam no playground do prédio onde ela morava quando o celular tocou.
Ela atendeu com um sorriso jubiloso.
––Oi, meu amor! (risada) Não, não, cheguei há uns dez minutos. (pausa, a voz do outro lado da linha não parecia muito feliz). O de sempre, meu amor. (ela mordeu o lábio e olhou para Ricardo, afastando-se não muito disfarçadamente) Amor, eu já disse que não tem motivo pra esse ciúme bobo. (Ricardo apurou a audição, pescando as partes da conversa) Ele é só um amigo meio carente. Sabe que eu preferia estar com você, mas é meu papel de cristã emprestar um ombro amigo. (pausa) Sim, claro, mas você sabe que o pessoal do grupo voluntário diz que nós precisamos colocar em prática nossa solidariedade. Não, Pedro Luís, (ela começou a ficar irritada) não basta visitar o asilo e cuidar dos velhinhos aos domingos. Nós precisamos pra-ti-car... Olhe, esqueça! Eu vou me despedir dele e depois eu ligo pra você, tá? Ok. Um beijo.
E ela se virou para falar com Ricardo, mas ele não estava mais lá.
O portão bateu delicadamente e, logo depois, ela ouviu o barulho do Cross Fox dele.
Deu de ombros, satisfeita por tê-lo feito rir mais aquela noite. A boa ação do dia estava cumprida! Agora era só ajeitar as coisas com seu namorado e poderia dormir com a mente livre, leve e solta.
Dirigindo apressado e amargurado, Ricardo pensou que estava na hora de mudar seus conceitos. Nada de Lolitas, nada de fugir do que era realmente. Um homem respeitável e bem-sucedido.
Não voltou a aparecer na casa dela e restringiu seus relacionamentos a mulheres da mesma idade e até mais velhas que ele.
Sua auto-estima foi restabelecida, a vida seguiu em frente muito bem. Conheceu uma garota num bar, apenas dois meses mais nova que ele.
Ela era perfeita! Compartilhavam o mesmo momento de vida, tinham os mesmos gostos e, pasme!, descobriu-se que haviam estudado na mesma faculdade, anos atrás, apenas em pavilhões diferentes.
Apaixonou-se de cara! Noivaram em pouquíssimo tempo.
Sua vida seguia em um ritmo gostoso, tranqüilo, maduro, como deveria ser! E ele não voltou a pensar em “seu protótipo defeituoso” de Lolita até o dia em que sua noiva o trocou por um garoto de 20 anos, sarado, dourado de sol e que provavelmente ainda nem havia entrado na faculdade!
Foi aí que ele resolveu ser voluntário em um asilo, mudou radicalmente de vida. Mais uma vez conseguiu superar a decepção e enfim tornou-se verdadeiramente feliz.
Atualmente Ricardo mora em uma fazenda no interior, vivendo de produtos da terra e cuidando primorosamente da mulher de sua vida, uma simpática senhora de 75 anos com um estômago muito delicado.
Pizza só de vez em quando, e com ingredientes muito leves para preservar a saúde do seu amor.

domingo, 7 de março de 2010

Girando & Girando


Oi galera!!! (ok, esse "galera" deve ser lifo em tom de surpresa, visto que eu realmente não sabia que alguém lia isso aqui)

Bom, me dei conta muito recentemente, e por recentemente eu digo 5minutos atrás, que eu apenas posto meus contos, poemas e textos-sem-definição.
Cara, isso é um caleidoscópio! Aqui deve ter de tudo!
Cada post um novo olhar. Cada click um ângulo diferente.
Está na hora de começar a "blogar" de verdade, creio eu.

Ainda assim, por mais incrível que pareça, alguém gostou do meu trabalho!
Quero agradecer muitíssimo a C. R. Suzuki, do "Ópera Desconcerto" (http://operadesconcerto.blogspot.com/), que me presenteou com um selo de Blogueira Deedicada!


Fiquei realmente feliz em saber que alguém lê e aprecia meu trabalho. Ainda mais depois da luta que foi vencer minha timidez literária e começar a postar.
Então, seguindo a regra, vou indicar os blogs que eu gosto muito e jamais deixo de conferir.

Lara Vaz : Sintonia
Matheus Marques: De Novo Caras Pálidas
Kilppz: You can't forget it
Uma gazela espavorida: Sorvete de Casquinho
Isabella : Tem quem goste
Verônica Vaz: Arquitetura & Imagem

Bom, é isso aí!
Viva aos Selinhos e blogueiros dedicados!

terça-feira, 2 de março de 2010

O tempo


Mixuruuuuuca! Mas eu precisava portar algo para não enlouquecer!


Às vezes a gente encarrega o tempo de certas tarefas que ele não pode cumprir.

Invariavelmente exigimos do tempo um poder de cura que ele não tem.

Às vezes o tempo nos faz recordar, quando deveria nos fazer esquecer.

Algumas, não raras, vezes o tempo muda o que deveria ser eterno.

O tempo não tem dono...
O tempo não tem don...
O tempo não tem do...
O tempo não tem d...
O tempo não tem..
O tempo não te...
O tempo não t...
O tempo não...
O tempo nã...
O tempo n...
O tempo...
O temp...
O tem...
O te...
O t...
O
!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Copo de Vinho




Deitada na rede, ela sentia sua cabeça pesar mais do que uma baleia jubarte grávida.
“Nunca mais...” Ela pensou “... NUNCA mais! Eu tomo vinho na minha vida!... Nem caipirinha... E tequila!... Ai, Deus! Não, não! Nada de tequila! Nunca mais vou beber de novo!” Choramingou em pensamento.
Fechou os olhos, tentando não pensar na péssima impressão que a sua bebedeira enlouquecida certamente havia causado no seu acompanhante, um jovem empresário muitíssimo bem sucedido, extremamente lindo e grande amigo do seu irmão, que há seis meses ela tentava impressionar.

Era de se esperar que ela soubesse que não se deve misturar tanto álcool em um só corpo, em uma só noite, especialmente quando se tenta fisgar um bom partido.
Ela se esforçou para recapitular os acontecimentos da noite anterior, mas sua mente ainda estava turva decido à ressaca.
Talvez fosse melhor não lembrar, no fim das contas.
O tilintar suave do mensageiro dos ventos anunciou a chegada de alguém.
Marcela sequer abriu os olhos. Ela tinha uma boa idéia de quem poderia ser e não estava com a menor vontade de encarar seus olhos amendoados.

––Paulo. – Ela grunhiu mais do que disse, a voz engrolada pelo sono.
––Você dormiu na rede ou é impressão minha?– Ele perguntou, a voz severa e limpa. Aparentemente ele estava tão sóbrio quanto um recém-nascido.
––Você pode, por favor, parar de gritar? –Ela resmungou, tentando mascarar sua vergonha com um mau-humor ácido.
––Eu devia gritar, mesmo, depois do papelão de ontem. Você perdeu o juízo, Marcela?
––Não, só encontrei umas garrafas de vinho no meio do caminho. – Retrucou com uma risadinha amarga. ––Qual é o problema, afinal?
––Preciso falar com você sobre ontem. –Ele disse em tom cavernoso.

“Ai, meu Deus! Que tipo de besteira eu fiz dessa vez?” Ela gemeu mentalmente, preparandp-se para os momentos de desespero.

––O que é? – Ela abriu os olhos e o encarou, a vista ainda embaçada, os cílios um pouco grudados pelo rímel já velho.
––Ontem você bebeu mais que um pirata.
––Eu sei.
––Subiu no balcão e simulou um strip-tease.

“Merda!”


––Só simulei!—Ela resmungou. “Não que eu me lembre muito bem”
Ele continuou o sermão, ignorando os apartes.

––Você brigou com uma garçonete, perdeu um sapato, quebrou duas garrafas de Whisky caríssimo...

––Eu sei, eu sei, seu sei!– Ela gritou e sua cabeça latejou três vezes mais. ––Vou pagar!
––Eu já paguei. –Paulo respondeu lacônico e prosseguiu com a narrativa. ––Você estava tão bêbada que metade dos homens naquela festa tentou passar a mão em você...
––Não!
––... E teriam conseguido se eu não estivesse lá com você.

Marcela baixou a cabeça, o rosto começando a arder de vergonha.

––Além disso, você usou o banheiro masculino, vomitou na sua própria bolsa e jogou-a no lixo com tudo que estava dentro dela.
––Minha Louis Vuitton! –Ela choramingou. ––Eu não fiz isso!
––Fez.
––Ah, meu Deus! –Marcela enterrou o rosto entre as mãos, tentando não escutar o que Paulo continuava a lhe contar.
––Ontem à noite você fez todo o tipo de loucura que eu poderia imaginar. Com exceção de assassinato e assalto a mão armada, você realmente fez de tudo, Marcela. Passou de todos os limites! –Ele ergueu o rosto dela, encarando seus olhos negros cheios de lágrimas. ––Nunca em minha vida eu presenciei tamanha demonstração de inconseqüência e irresponsabilidade. E de você, Marcela! Logo de você, que me parecia ser a pessoa mais reta e ajuizada do mundo!

Com essa afirmação Marcela teve que segurar a nova onda de náusea que se espalhou pelo seu corpo. Um risinho histérico quase escapou dos seus lábios enquanto pensava nos esforços para conquistar Paulo.
Depois de seis meses de sofisticação, entretenimento maduro e conversas inteligentes, ela destruía tudo agindo como uma adolescente tresloucada e alcoólatra.
Sentindo-se humilhada, riu amargamente da própria desgraça.

––Bom, pelo menos eu não transei com ninguém.
Paulo continuou sério, apenas encarando-a com seus olhos amendoados e quentes.
––Transei? –Ela gemeu, sentindo a vergonha cada vez mais ardente. “Ah, por favor, por favor, que eu morra queimada antes de receber a resposta! Por favor!”

––Transou. –Ele respondeu sem entonação, totalmente alheio às preces de Marcela.
––Com quem? – Ela fechou os olhos, aguardando o impacto e ainda esperando a morte fulminante chegar. Seria mais fácil, ela pensou.
––Comigo.
––O QUÊ? –Marcela arregalou os olhos, espantada, e aquilo doeu devido à ressaca. Impossível! Simplesmente impossível! Inacreditável.
––Sim. –Ele reafirmou, fazendo uma pausa breve antes de continuar muito solenemente. ––Sabe, Marcela, você fica bem mais interessante quando é espontânea. Eu gostava da sua companhia antes, é claro, mas à vezes era tão maçante! Você não tem idéia de como é cansativo ser cordial e interessante o tempo todo, demonstrar inteligência e poder a cada gesto. Aquilo era um saco!
––Você... Eu... O QUÊ?– Ela gaguejou confusa.
––Não me leve à mal, mas eu sei o quanto você queria ficar comigo nos últimos meses. Eu sempre soube. E, bem, apesar de linda, Marcela, não me atraía em nada a idéia de ficar com um “cérebro gigante”.
––Como é que é? – Agora ela estava indignada.
––Mas ontem, nossa! –Ele continuou sem se interromper. ––Ontem você foi fantástica! Totalmente... Insana, ousada, atrevida... Humana! Eu nunca me diverti tanto... E me apaixonei por você.
––Você o quê?–Ela não parecia capaz de articular frases muito longas no momento.
––Então, entenda, quando eu pedi você em casamento antes de trazê-la para casa eu não estava brincando. –Ele falou isso com um sorriso travesso curvando levemente um dos cantos da sua boca. ––E acho que você também não brincava quando aceitou.
––Eu aceitei?
––Aceitou. E espero que sóbria você não me rejeite.

Marcela ainda estava em choque, boquiaberta e confusa, mas pouco a pouco sua altivez natural, que ela tentara esconder por seis meses, venceu definitivamente.

––E se eu rejeitar? –Perguntou, os olhos estreitando-se maliciosamente.
––Bom,– Ele aproximou-se um pouco mais e tocando o rosto dela com carinho, respondeu sorrindo. ––Embebedar você minutos antes da cerimônia sempre é uma opção!